Fernando Alves

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A Rede Cidadã completa, em 2012, dez anos de atuação e soma mais de 21 mil jovens beneficiados. Instalada na capital mineira, a instituição tem como proposta criar um ambiente propício para que as ações dos três setores da economia sejam complementares, tendo como diretriz a capacitação, inserção e o acompanhamento de jovens no mercado de trabalho.

“A instituição conseguiu criar uma síntese entre o social e o econômico, fazendo da inclusão social uma resposta à necessidade do mercado por jovens profissionais”, destaca o diretor-executivo da Rede Cidadã, Fernando Alves, com exclusividade para o Responsabilidade Social.com.

Atualmente, a instituição participa de projetos em Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Maranhão e Distrito Federal. Segundo Alves, uma das metodologias criadas pela instituição é uma excelente oportunidade para manter uma sinergia com o Programa Bolsa Família.

“O trabalho é a porta de saída para a autonomia das famílias para não ficarem dependentes de programas de renda mínima. Por isso, nós acreditamos que políticas públicas não podem ser percebidas como milagrosas, é preciso sinergia entre governo, empresas e organizações sociais para consolidar as mudanças sociais necessárias”, diz.

Na entrevista, Fernando Alves mostra como o trabalho é realizado, apresenta o balanço de uma década de atividades e antecipa as principais metas para o futuro, que está em inserir 50 mil jovens no mercado de trabalho até 2015. Leia e entrevista na íntegra.

1) Responsabilidade Social – O escopo da atuação da Rede Cidadã é maximizar os recursos de investimento social disponíveis, a partir da integração de ações e iniciativas sociais. O senhor poderia explicar como esse trabalho é realizado?
Fernando Alves
– A proposta é criar um processo de rede social, estimular a complementaridade de ações e promover a sinergia de esforços entre governo, empresas e o terceiro setor. Por isso, falamos de maximizar os recursos existentes. São recursos de investimento social oriundos das políticas públicas, dos projetos de responsabilidade social empresarial e das iniciativas do terceiro setor.

Quando as instituições trabalham sozinhas, perdem a oportunidade de criar sinergia com esses recursos. Assim, por meio do nosso trabalho, possibilitamos que as atividades dos três setores da economia sejam complementares. Dessa forma, jovens que participam de algum programa de política pública podem ser capacitados por uma organização social e inseridos no mercado de trabalho.

2) RS – A Rede Cidadã, por meio de redes de voluntários, potencializa as oportunidades de trabalho e renda no país. Como o senhor avalia as políticas públicas voltadas para essa área? As medidas em curso são suficientes?
FA
– O principal programa de renda do governo federal é a Bolsa Família, uma iniciativa importante e com resultados destacados no que se refere à distribuição de renda e garantia da renda mínima. Hoje já é consenso sobre a importância de se estabelecer conexões da garantia da renda mínima com a preparação das famílias para o mercado de trabalho, seja profissionalizando as pessoas, seja preparando-as para iniciativas empreendedoras.

A metodologia de Rede de Geração de Trabalho e Renda criada pela Rede Cidadã é uma excelente oportunidade para criar sinergia com o Programa Bolsa Família. O trabalho é a porta de saída para a autonomia das famílias para não ficarem dependentes de programas de renda mínima. Por isso, nós acreditamos que políticas públicas não podem ser percebidas como milagrosas, é preciso sinergia entre governo, empresas e organizações sociais para consolidar as mudanças sociais necessárias.

3) RS – Os jornais de grande circulação têm noticiado que o governo estuda flexibilizar as leis trabalhistas, permitindo redução de jornada e de salário para aumentar a competitividade da economia. Qual a sua opinião sobre a medida?
FA
– No Brasil é tabu falar da flexibilização da legislação trabalhista. Com o cuidado de não voltarmos ao passado de uma classe trabalhadora totalmente desprotegida, vejo como importante a flexibilização nas relações de trabalho. Esse não é um tema fácil, e exige um posicionamento maduro e forte dos sindicatos.

4) RS – A Rede Cidadã foi criada em 2002 e soma uma década de atividades. Quais os principais resultados obtidos ao longo desse período? Nesses dez anos, houve mudança no entendimento do conceito, no objetivo e na abrangência das ações?
FA
– Foram 10 anos focados no mesmo objetivo, cujos resultados poderiam ser resumidos nos 21 mil jovens inseridos no mercado de trabalho. Mas acho importante destacar três grandes conquistas: a primeira é que hoje temos uma metodologia bem sucedida, consolidada, e com boas ferramentas de gestão experimentadas e validadas. As ações e projetos sociais também precisam de tempo para amadurecerem suas ferramentas de gestão e suas metodologias.

A segunda é o nosso corpo de gestores e funcionários. Formar quadros técnicos em gestão social é um patrimônio na Rede Cidadã. E a terceira conquista é a nossa aliança com o mundo empresarial. A instituição conseguiu criar uma síntese entre o social e o econômico, fazendo da inclusão social uma resposta à necessidade do mercado por jovens profissionais.

5) RS – Como o senhor vê a participação da sociedade civil brasileira engajada em ações voluntárias, na luta por um Brasil mais fortalecido, com inclusão social, distribuição de renda e sucesso econômico?
FA
– A sociedade civil é um marco especial da democracia no Brasil. A participação das organizações sociais vem se ampliando de modo muito expressivo na solução dos mais diversos problemas da nossa sociedade. Isso permite ao Estado focar-se em atribuições mais pertinentes ao papel dele, permitindo que a sociedade se aproprie de si mesma. Não existe Estado suficiente para uma sociedade ausente.

6) RS – Em que projetos e metas a Rede Cidadã está envolvida atualmente?
FA
– A Rede Cidadã atua em vários projetos convergindo para uma grande meta: inserir 50 mil jovens no mercado de trabalho, como primeiro emprego ou no programa jovem aprendiz, além da inclusão de duas mil pessoas com deficiência, até 2015.

7) RS – Quais as metas da instituição para 2013?
FA
– Para o ano que vem nossa meta é de inserir 16 mil jovens como primeiro emprego ou jovem aprendiz, e inserir mil pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

8) RS – Qual o seu entendimento do conceito ‘responsabilidade social’?FA – Trata-se da não separação entre as dimensões econômicas, sociais e ambientais. As empresas não podem ser ilhas financeiras bem sucedidas num mar de pobreza ao seu redor. Por outro lado, não se pode pensar na responsabilidade só para as empresas. As políticas públicas também precisam ser responsáveis. Na verdade, governo, empresas e organizações sociais precisam de gestão responsável.

Nós acreditamos no equilíbrio da força do voluntariado, indispensável para a ética da militância social, e na formação de profissionais especializados na gestão do “triple botton line”, ou seja do tripé da sustentabilidade, equilibrando o desenvolvimento harmônico entre o econômico, o social e o ambiental. Esses profissionais é que podem transformar a gestão em empresas, governos e no terceiro setor.


Rede Cidadã - Telefone: (31) 3236-1600

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