Amyra El Khalili

Amyra El Khalili crítica os créditos de carbono

Amyra El Khalili crítica os créditos de carbono

A economista e autora do e-book “Commodities Ambientais em Missão de Paz: Novo Modelo Econômico para a América Latina e o Caribe”, Amyra El Khalili, apresentou durante a 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, realizada em agosto, uma análise crítica da economia verde e a natureza jurídica dos créditos ambientais.

A ideia da palestra foi abordar temas como o que é economia verde e como isso pode mudar o cotidiano da população, além de apresentar um balanço sobre o trabalho da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), realizada em junho, no Rio de Janeiro.

A pesquisadora é especialista na temática e foi pioneira no uso da expressão ‘commodities ambientais’, ou seja, mercadorias originadas de recursos naturais em condições sustentáveis produzidas pelas comunidades. Para ela, um dos principais problemas envolvendo a economia verde é a financeirização dos bens comuns e o conflito conceitual entre commodities e créditos ambientais.

“Transformaram a poluição em commodities. Ou seja, em mercadoria que pode ser trocada ou vendida e isso precisa ser mudado, porque a poluição deve ser eliminada. É uma questão que envolve o arcabouço jurídico dos créditos ambientais que não estão completamente definidos no Brasil”, criticou.

Filha de um beduíno palestino que chegou ao Brasil na década de 60, Amyra El Khalili é fundadora da Aliança Redes de Cooperação Comunitária sem Fronteiras (RECOs), do Projeto (BECE, sigla em inglês) Bolsa Brasileira de Commodities Ambientais e Movimento Mulheres pela P@Z.

Na opinião dela, que em 18 de junho deu uma palestra sobre Fraudes no Monitoramento do Financiamento Climático, durante um seminário da agenda paralela da Rio+20, o mercado deve considerar o impacto social, ambiental e de geração de ocupação e renda, e agregar todas as reinvidicações feitas na Cúpula dos Povos a seu planejamento financeiro.

“Meio ambiente, recursos naturais estratégicos e bens comuns não pertencem ao Estado, são bens de uso difuso. O Estado é tutelador, e não pode, pela Constituição, vender ou doar”, avaliou.

Em artigo publicado no Mercado Ético no final de agosto, Amyra El Khalili destacou que desde que o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) foi instituído, em 1997 pelo Protocolo de Quioto, o mundo vem manifestando preocupações com a maneira pela qual os negócios e os acordos vinham sendo conduzidos.

Entretanto, a tendência que “temos observado é, infelizmente, que o mercado de carbono e seus derivados está repetindo os modelos centralizadores, arriscados, limitados e desgastados, sob os quais se estabeleceram os contratos nos grandes centros financeiros”, criticou no texto.

Números apresentados por ela estimam um rombo de aproximadamente U$ 222 trilhões nos derivativos, o que equivale a três vezes o Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Mais. Analistas internacionais calculam que U$ 142 bilhões foram negociados nos derivativos de carbono, ante U$ 5 bilhões investidos diretamente em projetos de MDL.

“Os argumentos que justificam o mercado de carbono são louváveis. O apelo para conter o aquecimento global é legítimo. As mudanças climáticas ocasionadas pela ação do ser humano estão mais que comprovadas cientificamente, ainda que alguns céticos se esforcem para derrubar teses e estudos consolidados. Porém, o modus operandi a que se pretende alcançar esses objetivos são questionáveis até para os mais monetaristas dos cientistas econômicos”.

Ainda na avaliação da especialista, além da natureza jurídica do mercado de carbono ainda não ser clara, é nesse mercado global desregulamentado, que estão sendo negociados acordos entre governos e instituições financeiras com o aval de algumas ONGs ambientalistas. Ela também reforça que assim como a máfia do lixo, dos aterros sanitários, do lixo tóxico e do lixo atômico, estão fazendo do que deveria ser eliminado um ativo ambiental.

“Agora, temos uma novidade eleitoral sofisticada: o voto de cabresto do REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação), e suas criativas variáveis, com a correria de diversos governadores e prefeitos assinando acordos com empresas estrangeiras. Resta saber quais são as bases jurídicas nas quais estão fundamentados todos esses acordos para que instituições financeiras internacionais administrem os bens ambientais desta nação”, argumentou no artigo.

O e-book Commodities Ambientais em Missão de Paz: Novo Modelo Econômico para a América Latina e o Caribe está disponível para download no endereço http://www.amyra.lachatre.org.br.

(Com informações do blog oficial da Amyra e do site Mercado Ético)


Site: www.amyra.lachatre.org.br

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