Maria Zulmira de Souza

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A jornalista Maria Zulmira de Souza é uma das idealizadoras da primeira plataforma de ativismo digital do Brasil voltada para o meio ambiente. Trata-se da Revela lançada no último dia 07 e baseada na tecnologia da Ushahidi, de software livre, utilizada para o mapeamento de situações de perigo, em emergências ou calamidades, usada pela Cruz Vermelha no terremoto do Haiti.

A iniciativa partiu de um grupo de comunicadores e artistas e ganhou o apoio das ONGs Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), além de David Kobia, criador da Ushahidi e uma das 35 pessoas mais inovadoras do mundo.

Segundo Zulmira, profissional especializada na área e conselheira de sustentabilidade em empresas privadas e ONGs, a intenção é construir, de forma colaborativa, um grande mapa georreferenciado, que alerte para informações sobre desmatamento e queimadas, por exemplo, “contribuindo para que o cidadão saiba onde estão esses problemas e soluções e para mostrar para autoridades responsáveis e cobrar mais ação e menos falação”.

Na entrevista exclusiva para o Responsabilidade Social.com, ela detalha a plataforma, avalia o ativismo ambiental no Brasil e mostra como a ferramenta pode subsidiar as discussões sobre o Código Florestal e os debates da Rio +20. Acompanhe.

1) Responsabilidade Social –Qual a principal proposta da Revela e como ela foi pensada?
Maria Zulmira de Souza
– Montar um mapa colaborativo com a participação dos cidadãos para divulgar uma ação positiva ou uma denúncia. A Revela foi criada por profissionais ligados à comunicação e arte que se uniram a organizações ligadas ao meio ambiente com o objetivo comum de gerar um espaço em que qualquer pessoa possa participar de um movimento real de mudança, transformação, cidadania e troca de ideias. A nossa proposta é ser um ativismo propositivo que mostra problemas mas também soluções, mapeando onde estão os acontecimentos.

2) RS – Um dos princípios do portal é a participação colaborativa. Como a senhora avalia o ativismo ambiental no Brasil? É possível dizer que ficou mais consistente ao longo da última década?
MS
– Com certeza ele ficou mais consistente e isso é em função também do peso que as questões de sustentabilidade ganharam nas diferentes esferas públicas e privadas. Muitos profissionais passaram a escolher suas carreiras pensando em agir por um mundo mais saudável, mais ético.

3) RS – Na sua opinião, o que explica a maior preocupação com as questões ambientais entre os mais jovens, por exemplo?
MS
– Os jovens de hoje crescem com carga enorme de informação e a maior parte delas negativas, pessimistas, pintando um futuro incerto de mudanças climáticas e econômicas globais. E isso, muitas vezes, gera um efeito contrário, não leva à ação, à busca de solução. Então o jovem está preocupado, mas não necessariamente sabe o que fazer. Os movimentos de jovens pelo meio ambiente estão crescendo, principalmente ligadas a questão de qualidade de vida. O numero de bikers crescente é um exemplo.

4) RS – Para a senhora, quais os principais desafios para educação ambiental no país e de que forma a Revela pode contribuir neste contexto?
MS
– Deixar de ser só uma disciplina do currículo e permear as ações não só de quem vai à escola. Ter uma educação para a cidadania planetária, para que a pessoa perceba que ela e a natureza não estão dissociadas. Somos parte da natureza. Uma espécie a mais que precisa das outras para conseguir sobreviver aqui.

5) RS – Quais as contribuições que a plataforma pode trazer para eventos como Rio +20, por exemplo?
MS
– Estamos mapeando 20 categorias entre problemas e soluções. Desmatamento, queimadas, rios poluídos, parques, nascentes, locais de coleta seletivas… esse mapeamento é feito com ajuda do satélite e das pessoas. Para a Rio +20 teremos feito outros. E contribuindo para que o cidadão saiba onde estão esses problemas e soluções e para mostrar para autoridades responsáveis e cobrar mais ação e menos falação.

6) RS – Para a senhora, as informações também podem subsidiar as discussões sobre o Código Florestal?
MS
– Na verdade, os filmes que podem ser vistos no site http://www.revela.org.br e nas redes sociais mostram exatamente os cenários de o valor da floresta for reconhecido como vital para o presente e o futuro e se não for. Infelizmente, a visão que predomina ainda na maior parte da elite brasileira é de curto prazo e de pouco conhecimento em relação aos verdadeiros potenciais que o Brasil tem.

7) RS – Qual o seu entendimento do termo responsabilidade social?
MS
– As pessoas estão acostumadas a falar de responsabilidade social do ponto de vista das empresas. Mas para mim ela faz parte da minha prática pessoal. Fazer não porque está na moda, mas porque não sei fazer de outro jeito.


Revela: www.revela.org.br

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