Saúde a bordo

Evandro Soares, gerente da MRN, comemora os resultados do Projeto Quilombo

Evandro Soares, gerente da MRN, comemora os resultados do Projeto Quilombo

Iniciativa oferta exames laboratoriais à população quilombola da Amazônia e registra 4,2 mil atendimentos

O barco Barão do Mar tem levado exames laboratoriais e outros atendimentos médicos para 23 comunidades quilombolas que residem nas margens do rio Trombetas, no Norte da Amazônia. Os desafios para alcançar essa população são gigantescos de ordem, principalmente, geográfica. Para superá-los, a receita é uma mistura de parceria com vontade de fazer, fórmula que resulta em mais de quatro mil pessoas beneficiadas diretamente.

“Chegamos a comunidades isoladas onde não existe a infraestrutura de um posto de saúde, por exemplo”, detalha Evandro Soares, gerente do Departamento de Relações Comunitárias da Mineração Rio do Norte (MRN), que há 11 anos realiza o Projeto Quilombo em parceria com a Fundação Esperança e a Secretaria Municipal de Saúde de Oriximiná (PA).

O projeto está sujeito a mudanças de clima. No período de cheia dos rios, o barco consegue chegar com facilidade a essas áreas. Mas, no período de seca, a população tem que se deslocar para o barco usando embarcações menores, como as canoas e rabetas. “Os atendimentos são feitos nos barracões das próprias comunidades. São usados lençóis para fazer as salas e garantir a privacidade do paciente”, diz.

De acordo com a MRN, são realizados 16 tipos de exames, entre eles os de prevenção do câncer de colo do útero e de próstata, além de planejamento familiar, pré-natal, acompanhamento nutricional e educação em saúde. O projeto promove também a capacitação de promotores voluntários de saúde, oferta medicação gratuita e aplica vacinas contra paralisia e sarampo.

A tripulação do Barão do Mar é composta por uma equipe de 12 a 15 profissionais, formada por médicos, enfermeiras e técnicos que levam assistência curativa e preventiva. O trabalho começou com apenas duas comunidades – Moura e Jamari e com o passar dos anos, amadureceu e alcançou 23 comunidades, o que resulta em cerca de 400 famílias atendias anualmente.

As principais demandas atuais da população sãos as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), verminoses e doenças de pele, muitas relacionadas às condições de higiene e falta de cuidado com a água. “A alternativa, então, tem sido orientar a população a consumir água fervida ou usar hipoclorito”, explica o gerente da MRN.

Ainda de acordo com ele, a desnutrição infantil também já foi um grande problema. O percentual de crianças desnutridas com idades de zero a cinco anos era de 39% quando o projeto iniciou suas atividades. Hoje, caiu para 7% e as crianças em desnutrição recebem suplemento alimentar para auxiliá-las na recuperação do peso. “Estamos abaixo da média que o Ministério da Saúde preconiza, que é de 10%”, comemora.

Outro ganho foi o controle do pré-natal que tem auxiliado no combate às doenças neurais quando os bebês ainda estão no ventre. “Como as mães têm feito o acompanhamento desde o início da gestação, temos reduzido o número de crianças que nascem com esses problemas”, destaca. Segundo a MRN, o acompanhamento médico nas áreas de ginecologia, pré-natal e combate ao câncer uterino teve um incremento de 181,34% desde o início do projeto.

Mesmo com a ampliação dos serviços, as instituições esperam reduzir em 13% o número de atendimentos neste ano, em relação a 2010, quando alcançou 4,2 mil pessoas. A confiança no resultado está na educação em saúde, que tem resultado em hábitos mais saudáveis. “Doenças como diarreia, infecção urinária e outras muito comuns, já são menos recorrentes, pois a população aprendeu a cuidar da água, a ingerir líquidos e a ter outros hábitos de higiene”, enumera Soares.

Para o próximo ano, a meta é reforçar o Programa de Atendimento a Saúde do Homem. “O foco será a conscientização deles para o retorno às consultas para prevenção do câncer de próstata”. Desde o início do projeto, a procura por atendimentos cresceu cerca de 200% entre o público masculino.

Também serão iniciados dois novos programas: um voltado para adolescentes com foco na etnia negra para combate às DSTs e o segundo com escopo na preservação do meio ambiente. “Será uma forma de socializar esses jovens e torná-los multiplicadores na escola. Levaremos informações sobre anatomia, modificações que ocorrem na adolescência e trabalharemos também o planejamento familiar. Nosso objetivo é continuar levando informação e contribuindo com a melhoria da qualidade de vida das comunidades quilombolas”, conclui.


Mineração Rio do Norte - Telefone: (93) 3549-7606

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