Ivânia Palmeira

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A coordenadora de gestão social da Basf, Ivânia Palmeira, mostra como o setor químico incorporou critérios socioambientais no dia a dia dos negócios. Na avaliação dela, a importância dessa ciência é cada vez maior para o meio ambiente e encontrar soluções para o paradigma entre a necessidade de consumo dos recursos naturais e sua preservação é um dos grandes desafios do setor nos tempos atuais.

“No caso da Basf, consideramos a sustentabilidade uma jornada e como uma estratégia para assegurar o sucesso no longo prazo. Por isso, buscamos interiorizar cada vez mais os conceitos e práticas, identificar oportunidades de melhoria em nossos processos produtos e em todo o ciclo de vida”, disse com exclusividade para o Responsabilidade Social.com.

Os programas da instituição voltados para o meio ambiente e inclusão social são diversos e ganharam mais envergadura ao longo dos últimos anos, passando de uma visão filantrópica para uma gestão apoiada na prática da responsabilidade social. Entre os resultados é possível citar que a empresa entrou pela décima vez na lista Dow Jones Sustainability Index (Índice Dow Jones de Sustentabilidade). Confira.

1) Responsabilidade Social – Em 2011 será celebrado o Ano Internacional da Química (AIQ), com ações direcionadas para o público jovem, com o objetivo de aumentar seu interesse por essa ciência. A senhora poderia detalhar qual o papel da química para melhorar qualidade de vida da população?
Ivânia Palmeira
– Muitos dos produtos que tornam a nossa vida mais saudável, duradoura, segura, mais fácil e agradável não existiriam sem a contribuição da química, que vem contribuindo decisivamente para a evolução da sociedade. Como estaríamos se não existissem os remédios, que podem prevenir, tratar e minimizar os efeitos de doenças, do envelhecimento? Como alimentaríamos trilhões de pessoas, sem as possibilidades apresentadas pela química? E quanto ao transporte, como nos deslocaríamos de um lugar para o outro com a agilidade que precisamos sem as descobertas da ciência, que também impactaram na forma como nos comunicamos e tomamos decisões. Um dos exemplos disso são os aparelhos de celular.

Enfim, a química nos fez chegar até os dias de hoje e nos levará ainda mais adiantes, preparando-nos para os desafios futuros. Trata-se de uma ciência essencial para lidar com questões importantes, tais como assegurar energia, mobilidade, nutrição, construção e habitação para a crescente população mundial. Portanto, o que temos que fazer cada vez mais é demonstrar a contribuição da química para a sociedade.

2) RS – Na sua opinião, é possível dizer que a química é uma ciência criativa e essencial para a sustentabilidade. Por quê?
IP
– Sim. A química é resultado de processos inovadores, da busca permanente de resposta para problemas atuais e futuros. Os avanços da química têm trazido grandes benefícios para as pessoas. No Brasil, por exemplo, basta analisar os dados mais recentes do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística]. A expectativa de vida do brasileiro, que era de 43,3 anos na década de 50 passou para 72,8 anos em 2010.

Outros exemplos que podem ser citados estão na área de saneamento ambiental e processos de desinfecção de água, no aumento e diversificação da produtividade agrícola à custa de insumos químicos, bem como da bioquímica, que serve como base da medicina preventivas, desenvolvendo vacinas e alternativas que aumentam a nossa longevidade.

A importância da química é cada vez mais crescente para o meio ambiente. Encontrar soluções para o paradigma entre a necessidade de consumo dos recursos naturais e sua preservação é um dos papéis importantes da química de hoje. Alguns exemplos da atuação da química pode-se citar como a produção de produtos biodegradáveis, recuperação de rios poluídos, a reciclagem de resíduos, o tratamento de esgotos e outros.

3) RS – Como funcionam as ações de sustentabilidade na área química?
IP
– No caso da Basf, consideramos a sustentabilidade uma jornada e como uma estratégia para assegurar o sucesso no longo prazo. Por isso, buscamos interiorizar cada vez mais os conceitos e práticas, identificar oportunidades de melhoria em nossos processos produtos e em todo o ciclo de vida de nossos produtos e atuamos fortemente na capacitação de nossas lideranças e colaboradores para a tomada de decisão considerando a sustentabilidade.

Além disso, em nossa estratégia de investimento social tem como objetivo desenvolver as comunidades em que estamos inseridos e dessa forma atuamos como catalisadores em processos de educação. Temos várias iniciativas em parceria com prefeituras e organizações não-governamentais que buscam melhorar a qualidade do ensino, como foco em educação ambiental e na capacidade de aprender e desenvolver o pensamento científico, por meio de iniciativas como o Programa Semente do Amanhã, que em 2009 foi considerado do melhor programa de educação ambiental do Estado de São Paulo, pelo Fórum Interbacias, que reúne representantes da secretaria de Estado do Meio Ambiente, ambientalistas e comitês de bacias, o ReAção, que capacita educadores para abordar temas relacionados à ciência em sala de aula, o Projeto Academia de Ciência, que estimula jovens para seguir a carreira científica, além de outros.

4) RS – E nesse sentido, como a Basf alia desenvolvimento econômico e cuidado com o meio ambiente?
IP
– Para as indústrias químicas, sustentabilidade é antes de tudo o cuidado com o meio ambiente e com a vida das pessoas. Portanto, colocamos em prática um sistema de gestão ambiental global, que abrange todo o ciclo de vida dos produtos: desde a sua concepção até após o uso pelas pessoas.

5) RS – Quais os desafios que a empresa ainda enfrenta quanto o tema é responsabilidade social?
IP
– Os desafios são muitos, por se tratar de uma jornada. Mas podemos citar um deles: o processo de interiorização da sustentabilidade. Considerando a complexidade das nossas operações, o número de envolvidos direta e indiretamente. Isso precisa abranger toda a organização de uma forma simples, tangível e transformadora.

6) RS – Qual o peso das questões climáticas e ambientais nas tomadas de decisão da Basf?
IP
– A Basf considera que as questões econômicas não sobrepõem as de caráter ambiental e social. A empresa está trabalhando atualmente em novas metas para a redução de emissões de gases de efeito estufa e está aprimorando continuamente seus relatórios sobre emissões desses gases. Pela primeira vez em 2010, a Basf considerou o padrão internacional do GHG Protocol para a elaboração de seu relatório de emissões ao longo da cadeia de valor (Basf Carbon Footprint 2010). A instituição contribuiu com seu know-how para o desenvolvimento desse novo padrão elaborado por especialistas internacionais de sustentabilidade. As novas diretrizes objetivam maior transparência e conformidade nos relatórios de carbono das empresas.

Além de significativas reduções nas emissões de gases de efeito estufa a partir de suas unidades produtivas, a Basf reduziu a pegada de CO2 de seus clientes em 322 milhões toneladas por meio de soluções inovadoras de proteção climática.

7) RS – Na sua opinião, a relação entre o setor químico e o meio ambiente já é equilibrada?
IP
– A busca do equilíbrio é uma jornada. No segmento químico sabemos exatamente quais são os riscos das nossas atividades e quais as medidas que devemos adotar para prevenir ou minimizar eventuais impactos. Essa gestão é o que assegura o equilíbrio e a nossa licença para operar.

No ano passado, como conseqüência dessa busca pelo equilíbrio, a Basf obteve novamente o reconhecimento externo de sua estratégia de desenvolvimento sustentável: pela décima vez consecutiva, a empresa foi listada no Dow Jones Sustainability Index (Índice Dow Jones de Sustentabilidade) e novamente está no topo do renomado índice de Liderança Carbon Disclosure Leadership Índex, no setor de Materiais. Além disso, a Basf está listada no novo Índice de Desempenho de Liderança – Carbon Performance Leadership Index (CPLI).

8) RS – Que visão a senhora tem hoje do cenário mundial do ponto-de-vista da sustentabilidade como o Brasil se insere nesse contexto?
IP
– Precisamos considerar o processo histórico para analisar e entender como a evolução vem acontecendo. Na década de 1980, na Basf e na maioria das empresas, a responsabilidade social era exercida pro meio da filantropia, que consistia em ações sociais externas da empresa, que buscavam simplesmente beneficiar a comunidade, com ações pontuais, não sistematizadas e às vezes também sem estratégia.

Na Basf, neste período, criamos o Projeto Crescer, que fez com que nos tornássemos uma das empresas pioneiras em investimento social no país. No final da década de 1990, já era perceptível uma mudança na postura das empresas e da própria sociedade, que passaram a definir os padrões e formas de investimento social. Neste período foram criados o Gife e o Instituto Ethos, dos quais a Basf tornou-se associada. Globalmente, neste período, também assumimos compromissos com o Global Compact.

A partir do início dos anos 2000, a responsabilidade social começou a ser analisada a partir do enfoque da cadeia de negócios da empresa, englobando as preocupações com um público maior (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio ambiente), cuja demanda e necessidade a empresa deve buscar entender e incorporar aos negócios.

Assim, a responsabilidade social passou a falar diretamente dos negócios da empresa e de como ela os conduz. Neste período, estruturamos uma governança corporativa, que chamamos de Comitê de Sustentabilidade, colocamos em prática nossa estratégia de investimento social e buscamos identificar e mensurar o quanto a sustentabilidade está inserida em nossa estratégia de sucesso, ao implementar a Matriz da Sustentabilidade, capacitando os nossos gestores a adotá-la como ferramenta para a tomada de decisão.

Atualmente estamos desenvolvendo um processo de formação de líderes sustentáveis, que são profissionais com potencial de crescimento dentro da organização e/ou profissionais que dentre suas atividades, no dia a dia da organização devem contribuir para o alinhamento da estratégia do negócio com a sustentabilidade. Assim, a nossa competência organizacional para a sustentabilidade está baseada na competência de nossos colaboradores. E isso tem contribuído para que cada vez mais consigamos inserir a sustentabilidade em nossas decisões empresariais.

Assim, atualmente a sustentabilidade está relacionada a um novo modelo de gestão empresarial, em que o lucro continua em primeiro plano, mas para consegui-lo as empresas produzem riquezas, que podem ser compartilhadas com toda a sociedade. Portanto, a sustentabilidade passa a fazer parte do core business das organizações e isso significa que passa a integrar o código de valores e princípios das organizações tendo como resultado a transformação de processos, produtos e das pessoas.

O Brasil tem atuado e contribuído fortemente para as discussões dos temas globais e tem procurado também posicionar-se frente aos desafios. Às vezes, de forma mais ágil, outras vezes, nem tanto. Mas é um processo de engajamento em que cada um pode e deve fazer a sua parte, da melhor maneira. E isso exige conscientização, clareza e foco no resultado agora e em longo prazo.

9) RS – Qual o seu entendimento do termo ‘responsabilidade social’?
IP
– Para nós da Basf, responsabilidade social empresarial é uma forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais.

A responsabilidade social é um processo que nunca se esgota. Não dá para dizer que uma empresa chegou ao limite de sua responsabilidade social, pois sempre há algo a fazer. O primeiro passo é uma auto-avaliação que possa indicar em que ponto é necessário melhorar as políticas e práticas da empresa e, a partir daí, estabelecer um cronograma de ações que devem ser realizadas. É um processo educativo que evolui com o tempo. Nós, da Basf, também estamos evoluindo.


Basf - Telefone: (11) 3043-2326

Também nessa Edição nº: 121
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