Sustentabilidade no Mercado Segurador

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Por Fátima Lima

Cientes de seu papel cada vez mais decisivo na transformação da realidade socioeconômica, muitas organizações já entenderam que é fundamental ter consciência da importância de suas atividades e da amplitude de suas iniciativas em relação à sustentabilidade.

Ou seja, aprenderam que uma empresa sustentável zela pela qualidade ética e transparente das relações com os públicos de interesse; incorpora interesses legítimos das partes interessadas em seus planos estratégicos; considera o impacto de suas ações no meio ambiente e identifica estratégias para reduzi-los; e, principalmente, assume um posicionamento estratégico e não apenas uma postura legal ou puramente filantrópica.

Por outro lado, muitas pessoas ainda têm a percepção de que sustentabilidade está relacionada apenas às questões ambientais e sociais ou, quando muito, enxergam apenas o famoso triple bottom line: ambiental, social e econômico. A novidade é que essa noção do tripé começa a ser ampliada para, aos poucos, entrarmos em outras agendas.

A amplitude do conceito de sustentabilidade abrange também características específicas de determinados segmentos. No mercado segurador, por exemplo, adotar um posicionamento sustentável envolve a maneira como a empresa trata dos riscos inerentes ao seu negócio. Como seguradora, nossa principal atividade é gerenciar e assumir riscos. E, reduzir estes riscos e compartilhar com todos os envolvidos na cadeia de valor novas formas de prevenção e proteção é, sem dúvida, uma atitude responsável e, porque não dizer, sustentável.

Ao falar em seguro sustentável, estamos tratando de uma abordagem estratégica em que todas as atividades, incluindo a promoção de valor compartilhado com o nosso público estratégico, são realizadas de forma responsável, com a identificação, avaliação, gerenciamento e monitoramento dos riscos e oportunidades associados às questões ambientais, sociais, econômicas e até de governança.

Percebendo a importância desse movimento, o próprio mercado segurador se movimentou para consolidar a cultura da sustentabilidade, com o lançamento, em junho de 2012, do PSI – Princípios para Sustentabilidade em Seguros. Esta, que é uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente/Iniciativa Financeira – UNEP/FI em parceria com a CNseg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização), certamente contribuirá para a formação de uma nova consciência entre as empresas do setor.

É importante ressaltar que os Princípios são uma estrutura opcional. Ou seja, não foram desenvolvidos para serem obrigatórios. Por isso, caberá à indústria seguradora arregaçar as mangas e adotar essas práticas em seu dia a dia, em busca de um segmento mais responsável, transparente, consciente e preparado para o gerenciamento de riscos e o desenvolvimento de soluções inovadoras.

O conceito de sustentabilidade deve fazer parte da gestão estratégica e da tomada de decisões, assim como o diálogo e a geração de valor com todos os stakeholders. Pensar em sustentabilidade é gerar lucro pensando nas gerações futuras. Temos que entender que isso é possível. É totalmente viável fazer negócio de uma maneira sustentável, engajando todos os participantes da cadeia, de modo que o entendimento e a atitude se disseminem aos poucos entre os ciclos de relacionamento de cada empresa.

As seguradoras e iniciativa privada como um todo precisam estar mais atentas às questões do desenvolvimento sustentável, unindo o lucro ao respeito pelo meio ambiente e à justiça social, trazendo retorno para a sociedade e inovando sempre.

O desafio é fazer com que as pessoas e as lideranças das empresas coloquem uma nova lente nos negócios. É nítido que a falta de compreensão sobre o assunto faça com que esta pauta, muitas vezes, seja deixada de lado. Por isso, é necessário engajar e trazer cada vez mais pessoas com capacidade de produzir sustentabilidade para dentro das empresas. Este deve ser o objetivo principal. É nisso que devemos acreditar. E é para isso que precisamos trabalhar.

E você? O que tem feito a respeito?


Fátima Lima é executiva de Sustentabilidade do Grupo BBMAPFRE. (Artigo originalmente publicado no site Ideia Sustentável)

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