Empresas brasileiras têm segundo pior desempenho em ranking de transparência

Embora o 14º Congresso Internacional de Governança Corporativa, realizado recentemente em São Paulo, tenha apontado que a transparência é o fator chave para a boa governança dos negócios e do país, o Brasil está distante dos melhores resultados no ranking e transparência corporativa elaborado pela organização não governamental Transparência Internacional, divulgado na quinta-feira, 17 de outubro.

O Brasil, que teve 13 empresas avaliadas, obteve o segundo pior desempenho entre os países dos Brics (grupo que ainda reúne Rússia, Índia, China e África do Sul). A pesquisa Transparência na Relação Corporativa: Avaliando Multinacionais de Mercados Emergentes analisou 100 grandes empresas de 16 países emergentes, sendo que 75% delas estão localizadas nos Brics, informou a BBC Brasil.

A pesquisa analisou 100 grandes empresas de 16 países emergentes, sendo que 75% delas estão localizadas nos Brics. A análise foi feita com base nos critérios de adoção de programas anticorrupção (de combate ao pagamento de propinas até proteção a delatores), transparência organizacional e informações divulgadas ao país onde estão baseadas (de lucros a pagamentos de impostos).

O relatório calculou uma média da pontuação das empresas por país, mas fez esse cálculo apenas para os países dos Brics. Companhias indianas atingiram a melhor pontuação geral (5,4) em uma escala de 0 a 10, em que zero indica menos transparência. Em seguida vêm a África do Sul (5,1), a Rússia (4,3), o Brasil (3,4) e, por último, a China (2).

Transparência burlada

Quando a ONG avaliou o acesso das informações financeiras das empresas às autoridades dos países onde estão baseadas, metade das companhias brasileiras obteve nota zero. No geral, o país atingiu a marca dos 30% (em que 100% significa transparência organizacional ideal).

Segundo Alejandro Salas, diretor regional das Américas da Transparência Internacional, a má pontuação não significa que as empresas avaliadas sejam corruptas, mas que não se importam o suficiente com as práticas de combate à corrupção e deixam brechas abertas para más condutas.

“[As empresas avaliadas] não proíbem explicitamente o pagamento de favores. Isso não quer dizer que os paguem, mas é preciso deixar claro que, como líderes globais, essas empresas se importam com a prevenção da corrupção”, afirmou Salas.

O que fazer para melhorar o quadro?

O 14º Congresso Internacional de Governança Corporativa indicou que os principais desafios para o desenvolvimento de uma boa governança são o funcionamento dos conselhos de administração; instalação de gestão de risco e compliance (conjunto de disciplinas para fazer cumprir as normas legais e regulamentares); desafios das políticas e práticas de integridade; melhores práticas de relato integrado; valores que devem ser garantidos por uma boa governança.

Para que esses sistemas sejam efetivos e funcionem de acordo com os objetivos da empresa, existe uma questão central a ser enfrentada: o correto e adequado tratamento das informações que a empresa vai por à disposição dos órgãos reguladores e do conjunto dos públicos com os quais se relaciona, ressaltou o Instituto Ethos.

(Responsabilidade Social com informações do EcoD)




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