Soraya Hissa de Carvalho

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Médica e psicanalista fala sobre a importância do dia 04 de junho

Embora o dia 04 de junho tenha passado praticamente despercebido, há 28 anos ele é marcado por reflexões sobre a agressão infantil. Em 1982 a Organização das Nações Unidas (ONU), instituiu a data como o Dia Mundial das Crianças Vítimas de Agressão. Segundo a médica e psicanalista, Soraya Hissa de Carvalho, violência é todo comportamento que causa dano a outro ser vivo, seja fisicamente, psicologicamente ou moralmente. Contra a criança a violência pode ser física; psicológica; sexual e a negligência – que consiste na omissão dos pais ou responsáveis quando deixam de prover as necessidades básicas para o desenvolvimento físico, emocional e social da criança e do adolescente.

Somente o Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes (Cecria), gestor do serviço Disque 100, que recebe informações sobre violência contra crianças e adolescentes em todo o Brasil, registrou de janeiro e abril deste ano 8.799 casos de violência contra crianças e adolescentes. Entretanto é importante destacar esses números são de violências denunciadas à central, ou seja, os números reais são bem maiores.

O último caso de maus tratos contra criança que ganhou notoriedade na mídia nacional, chocou o país ao envolver a procuradora de Justiça aposentada, Vera Lúcia Sant’ana, acusada de agredir violentamente uma criança de dois anos. Vera Lúcia foi denunciada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro pelo crime de tortura qualificada. Mas de acordo com Soraya de Carvalho, esse caso é uma exceção entre as ocorrências de maus tratos contra crianças cometidas dentro de casa. “Agressões graves chegam aos hospitais camufladas na forma de acidentes domésticos, quedas ou versões fantasiosas criadas pelos próprios pais para ocultar surras e maus tratos contra os filhos”, alerta.

A psicanalista destaca, ainda, que as conseqüências da violência na infância acompanham o indivíduo por toda a vida, se não houver um acompanhamento médico adequado. “As marcas deixadas no corpo podem até ser curadas rapidamente, mas as psicológicas podem deixar seqüelas para toda a vida”, afirma Soraya.

Desde 2003, quando começou a atuar, o Disque 100 encaminhou 123 mil denúncias. Violência física e psicológica contra menores corresponde a 34% do total de atendimentos – mesma proporção de denúncias de negligência. Os casos de violência sexual compõem os 32% de registros restantes. De acordo com médica, a maioria das crianças vítimas de algum tipo de violência preenche os critérios de diagnóstico de desordens mentais e estresse pós-traumáticos, apresentando reduzido envolvimento com o mundo externo, re-vivência do trauma, hiperatividade, hiper agressividade e distúrbios de sono. Nos quadros agudos, manifestam sentimentos de infelicidade e pânico, regressões a fases anteriores de desenvolvimento do ego, comportamento autodestrutivo e depressivo.

Alguns estudos afirmam que há a possibilidade de indivíduos vítimas de violência na infância se tornar um adulto propenso a cometer as mesmas crueldades sofridas por ele. “Não há desculpas e justificativas para quem agride uma criança. Estudos mostram que muitos que foram vitimas de violência quando crianças tendem a repetir o modelo aprendido e cometem, na fase adulta, crimes contra crianças”, completa a psicanalista. Graduada em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1985, Soraya Hissa de Carvalho, atua nas áreas de psiquiatria; psicanálise; neurociência e comportamento, entre outras.


Soraya Hissa de Carvalho- Telefone: (31) 3225-1116

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