Adrian Cowell

Defensor das florestas morreu em outubro

Defensor das florestas morreu em outubro

O cineasta Adrian Cowell foi homenageado no Festival Pan-Amazônico de Cinema, realizado em Belém (PA), de 05 a 11 de novembro. Ele ficou conhecido por produzir, para a televisão britânica, documentários sobre a destruição da floresta amazônica e retratou como poucos os impactos dessa devastação sobre as populações indígenas e ribeirinhas. Cowell morreu em Londres, aos 77 anos, no dia 10 de outubro deste ano devido a complicações respiratórias.

Andrian Cowell nasceu no dia 2 de fevereiro de 1934, em Tongshan, na China. Estudou na Austrália e na Inglaterra, e graduou-se em História, pela Universidade de Cambridge, em 1955. A carreira de cineasta teve início em 1956, quando esteve na América do Sul pela primeira vez. Entre 1957 e 1958, produziu quatro programas de 26 minutos sobre a Amazônia para a série “Adventure” da BBC.

Em 1961, junto com o cinegrafista Louis Wolfers, esteve durante três meses no Xingu e, outros tantos, entre Mato Grosso, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo. Nessa viagem, produziu as séries: “The Destruction of The Indian” (A Destruição do Índio) e “The Fate of Colonel Fawcett” (O Destino do Coronel Fawcett).

A convite dos irmãos Villas Bôas, Adrian Cowell filmou, de 1967 a 1969, a expedição para contatar a tribo de índios isolados Panará. Os filmes realizados nesse período “The Tribe that Hides From Man” (A Tribo Que Se Esconde do Homem) e “Kingdom in the Jungle” (O Reinado na Floresta), foram produzidos para a ATV.

Adrian Cowell retornou ao Brasil em janeiro de 1980 e, numa co-produção da TV Central da Inglaterra com a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), filmou sem interrupção até setembro de 1990. Seu acervo é composto por filmes 16 mm, fitas de vídeo, slides e diários de campo sobre a Amazônia. Todo esse material contribui para o debate político e cultural que envolve a região e constitui a memória dos povos da floresta.

Com a realização do projeto “Histórias da Amazônia – 50 Anos de Memória Audiovisual”, aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, foi possível trazer o acervo de Adrian Cowell para o Brasil, e incorporá-lo ao Acervo Audiovisual da PUC-GO, uma referência nacional e internacional na preservação do patrimônio cultural brasileiro.

A partir do ano 2000, o incansável defensor da floresta realizou filmes, produzidos pela BBC2, TVE (TV for the Environment) e para a BBC mundial atualizando as questões e políticas para o desenvolvimento da Amazônia e seu impacto sobre o meio ambiente e comunidades.

Cowell também registrou em fotos, vídeos e por escrito a colonização da Amazônia, o desmatamento e as campanhas ambientalistas pela preservação da floresta, além da criação das primeiras reservas extrativistas e do primeiro contato com os índios Uru Eu Wau Wau. Entre os livros, destaque para “Década da Destruição”, publicado em 1990, que tornou-se leitura obrigatória em tempos pré-Rio-92, com capítulos específicos sobre o Parque Indígena do Xingu, Rondônia e o líder seringueiro Chico Mendes.

Entre os filmes apresentados na mostra paraense está “Montanhas de ouro”, que retrata os conflitos e contrastes entre a atuação da empresa responsável pela concessão de extração de minérios na Serra Pelada e a dos garimpeiros que vivenciavam o drama de se trabalhar com a extração de metais preciosos sem usufruir dessa riqueza.


Informações sobre o acervo e bibliografia de Adrian Cowell estão disponíveis no site Imagens Amazônia

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