Um dia em que todos fazem diferença

188-phprVYndn

Desde 1990, cerca de 2,5 milhões de voluntários nos Estados Unidos unem-se uma vez por ano com o exclusivo objetivo de fazer diferença na vida de alguém: é o “Dia de Fazer a Diferença”. O princípio básico parte do fato de que qualquer iniciativa – da menor à de maior amplitude – é válida. A idéia chegou ao Brasil em 1999 e, desde então, ganha espaço na mídia e na dedicação ferrenha dos voluntários tupiniquins, cada vez mais numerosos. Nesse projeto, a população se une em diversas ações – que podem variar de uma simples aula de higiene ou pintura de uma parede, até um mutirão para construir uma casa em apenas um dia ou a recuperação da nascente de um rio.


O projeto foi iniciado nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro por equipes da SIFE (Students in Free Enterprise – ou seja, Estudantes em Livre Iniciativa), instituição que importou a idéia da terra do Tio Sam. “A motivação principal de trazer o projeto para o Brasil foi percebermos a importância dessa atitude extremamente simples, mas que pode trazer imensos benefícios para nosso país, que tanto precisa de cidadania participativa e solidariedade”, justifica o diretor executivo do “Dia de Fazer a Diferença”, Roberto Murakami. Ele ainda ressalta que o programa não está ligado a nenhuma ação partidária, ideológica ou de cunho religioso. “Mesmo os mais humildes podem arregaçar as mangas e fazer um mutirão de limpeza. A comunidade é responsabilidade de todos nós, independente de ideologias e credos”, reitera.


A idéia deu certo e no ano seguinte, em 2000, a participação do público alcançou a marca dos 108 mil voluntários. Em 2001, foram 172 mil. Nos três anos de atuação, o programa contabilizou cerca de 350 ações em todos os estados brasileiros. “Porém, esse número pode ser maior, uma vez que nem todos os voluntários registram seu trabalho em nosso site”, avalia Murakami. Neste ano, o evento ocorrerá em 1o de dezembro e, graças ao apoio de grandes empresas como a Folha de São Paulo, o SBT, Grupo Accor e BIC, entre outros, os organizadores esperam contar com o apoio de meio milhão de pessoas. Vale destacar que o suporte fornecido por essas empresas não é financeiro, e sim de serviços prestados na divulgação do evento e a consequente mobilização e participação da sociedade.


O principal objetivo do projeto é fazer dele um catalisador de ações sociais. Para os que ainda não se envolvem em atividades de voluntariado, é uma oportunidade de, pelo menos nesse dia, estar fazendo a diferença na vida de alguém. “É um momento em que a pessoa pode descobrir como e porque deve dedicar-se à comunidade e, talvez, despertar nela a sensibilidade para continuar aderindo a esse tipo de conduta”, acredita Murakami. “É muito fácil participar: basta ter vontade e idealizar uma ação”.


Segundo Murakami, o “Dia de Fazer a Diferença” brasileiro costuma seguir a data estabelecida nos Estados Unidos – ou seja, o quarto final de semana do mês de outubro. Em 2002, porém, o processo eleitoral fez com que a data de realização do evento no Brasil fosse trocada. “Decidimos adiar a data em um mês porque nossa estratégia é facilitar ao máximo a adesão das pessoas. Em 2003, voltará a ser simultâneo com os outros países, em 26 de outubro”, avisa Murakami.