Mudanças climáticas são uma das causas da fome, de conflitos e da pobreza, avisa CAN

Rede global de organizações não-governamentais fez o alerta num evento da ONU

A Climate Action Network-International (CAN-Internacional), rede global que congrega mais de 700 organizações não-governamentais de todo o mundo, entre elas o Vitae Civilis, alertou num evento especial para os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas que as mudanças climáticas são um fator crítico para a pobreza, a desigualdade, a instabilidade e os conflitos que, desta forma, acaba afetando a todos. O alerta foi dado durante encontro do Conselho realizado no dia 15 de fevereiro, na sede da Organizações Unidas (ONU) em Nova York.

Wael Hmaidan, diretor da CAN-Internacional, disse na reunião, convocada pelo Paquistão e Reino Unido, que a situação exige um compromisso sem precedentes para uma ação coletiva que reduza drasticamente os riscos desencadeados pelo clima, que já estão sendo vivenciados pelos mais pobres e mais vulneráveis nas nossas sociedades.

“Estamos seriamente preocupados com as perspectivas de deslocamentos em massa de pessoas dentro dos países e entre fronteiras, provocados diretamente por eventos climáticos como aumento do nível do mar, secas, desertificação, perda de biodiversidade e, indiretamente, por seus impactos sobre alimentos e recursos naturais”, pontuou Hmaidan.

“Nós reconhecemos que a decisão de sair de casa e da comunidade é muitas vezes o resultado de múltiplos fatores, mas que os impactos das mudanças climáticas são muitas vezes um fator crítico”, disse ele. Por exemplo, as milhares de pessoas que foram deslocadas da Somália para os países vizinhos em 2011 não estavam fugindo de conflitos, mas em busca de alimento, na decorrência da seca.

Tim Gore, da Oxfam Internacional, também presente no evento, disse que onde o risco climático ser visto mais claramente é no sistema alimentar global. “As secas ou inundações podem destruir colheitas inteiras, como temos visto nos últimos anos no Paquistão, no Chifre de África e em todo o Sahel”. Trata-se de uma região da África situada entre o deserto do Saara e as terras mais férteis a sul, que forma um corredor quase ininterrupto do Atlântico ao Mar Vermelho, numa largura que varia entre 500 e 700 km.

Ele ainda acrescenta que quando eventos climáticos extremos atingem grandes produtores mundiais de alimentos – como as secas do ano passado nos EUA e na Rússia – as cotações mundiais dos alimentos disparam. Isso representa um grande risco para os países que dependem da importação de alimentos, como o Iêmen, que compra 90% do trigo.

“Os protestos por comida e os distúrbios sociais ocorridos na sequência do pico de alta no preço dos alimentos, em 2008, não foram fenômenos isolados, mas um sinal dos riscos que enfrentamos por conta de nossa incapacidade de alimentar um mundo cada vez mais quente. Os grandes produtores que ainda sofrem as conseqüências ou tentam se recuperar de secas e ondas de calor extremas, junto com a redução nos estoques globais de cereais, colocam a segurança alimentar do mundo no fio de uma navalha”, completou.

Hmaidan disse que os governos precisam elevar dramaticamente os investimentos públicos para ajudar as comunidades e os países se adaptarem às mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que aumentam os esforços internacionais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa para evitar danos muito maiores. “É preciso preparação adequada para perdas e danos permanentes causados pelas mudanças climáticas, incluindo o estabelecimento de um novo mecanismo internacional sob discussão na UNFCCC e o reconhecimento de novos direitos para a migração forçada pelo clima”, disse Hmaidan.

A Climate Action Network é uma rede global de mais de 700 ONGs que trabalham para promover a ação de governos e indivíduos para limitar as mudanças climáticas induzidas pelas atividades humanas a níveis ecologicamente sustentáveis.

(Responsabilidade Social com informações da Vitae Civilis)


Vitae Civilis - Telefone: (11) 3662-0158

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