Inpe aponta desafios para a superação das mudanças climáticas

Climatologista fala sobre os desafios para a superação das mudanças climáticas em evento em Brasília

Climatologista fala sobre os desafios para a superação das mudanças climáticas em evento em Brasília

Pesquisador do instituto participa de evento em Brasília e mostra caminhos para o Brasil ser referência mundial no setor

Os grandes desafios para superação das mudanças climáticas são tecnológicos. A afirmação é do chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Carlos Nobre, que participou de um evento sobre o tema em Brasília (DF), no final de novembro.

Na avaliação do climatologista, que coordena um vultoso programa de monitoramento que gera cenários de mudanças climáticas, é urgente a necessidade de estabelecer novos modelos econômicos que possibilitem a redução da pegada ecológica, com a manutenção da qualidade de vida, bem como aumentar a capacidade de adaptação aos novos climas.

“São desafios para a sustentabilidade a longo prazo. Como aumentar o IDH [Índice de Desenvolvimento Humano], com baixo uso de energia? Politicamente é um desafio gigantesco. Exemplo foi fracasso de Copenhague [reunião realizada no ano passado na Dinamarca sobre mudanças climáticas]”, disse.

Dentro desse contexto, Nobre é contundente em afirmar que o estabelecimento de um novo paradigma econômico e ambiental depende fundamentalmente da ciência e tecnologia. “O grande desafio para esse setor é criar mecanismos para detectar e atribuir causas, aumentar a capacidade de adaptação e reduzir as emissões de gases de efeito estufa. São ações de ordem tecnológica”, apontou.

Ainda na avaliação do pesquisador, o Brasil tem força suficiente para se estabelecer como potência ambiental tropical, visto que foi o primeiro país em desenvolvimento a criar uma lei para mudanças climáticas. Trata-se da Lei nº 12.187/2009. “Temos capacidade para sermos uma grande potência. Temos uma matriz energética favorável, competência em agricultura tropical, a melhor tecnologia em biocombustíveis do mundo e lideramos o monitoramento de desmatamento”, enumerou.

Para dar conta dos desafios que se apresentam, Nobre diz que é necessário criar novos institutos de tecnologia, trabalhar em rede e manter altos investimentos em pesquisa. “O Brasil ainda não acordou para essa potencialidade. Poderíamos ter uma vantagem maior”, disse. Ele sugere a criação de pelo menos três novas instituições: Institutos Tecnológicos da Amazônia; Institutos para Bio-Indústrialização; e Institutos de Energia Renovável.

No bolso

Também no mesmo evento, que reuniu jornalistas e a comunidade científica nos dias 24 e 25, no auditório da Confederação Nacional de Bens, Serviço e Turismo, três pesquisadores falaram sobre a importância de estabelecer modelos de exploração dos recursos naturais com respeito ao meio ambiente, mas sem perder o foco no crescimento econômico.

Para eles, os dois pontos são inseparáveis e pedem a produção de tecnologias capazes de se antecipar às novas tendências. “Como conseguir o desenvolvimento sustentável dentro desse modelo altamente consumista com grande utilização dos recursos naturais? Essa questão envolve muito mais que ciência, tecnologia e inovação. É uma questão que depende de resoluções políticas”, destacou Antonio Ocimar Manzi, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa).

Na avaliação dele, para a Amazônia, por exemplo, é preciso desenvolver tecnologias voltadas para a biotecnologia, para que se tenha um retorno econômico maior em relação a forma que é utilizada hoje, com a exploração das madeiras e utilização das áreas para agricultura e agropecuária. “Em grande parte elas dão um retorno econômico baixo. Aplicação de tecnologias na agricultura e na agropecuária pode trazer resultados importantes, como aumentar a produtividade e produzir mais em áreas menores”, explicou.

Carlos Nobre também mostrou dados que evidenciam a baixa a lucratividade das atividades econômicas na Amazônia. O cultivo da soja, por exemplo, gera US$ 100 por 200 hectares por ano. “O modelo atual é frágil economicamente e ambientalmente. Falta tecnologia. Temos que descobrir novos modelos. Esse não dar mais. É prejuízo econômico e ambiental”, falou.

O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Marco Antonio Raupp, também defendeu a proposta de aliar os dois crescimentos. “Quando se pensa em sustentabilidade não podemos considerar somente a questão ambiental, mas também a econômica. Como vamos continuar a produzir para atender as demandas da sociedade que quer crescer, mas sem agredir o meio ambiente?”, questionou.


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