Consumidores atentos às práticas de responsabilidade social empresarial

Helio Mattar

Helio Mattar

Estudo divulgado pelo Instituto Akatu mostra que o interesse pelo tema é grande entre os brasileiros, mas a maioria não está suficientemente informada sobre o assunto. Pesquisa aponta também que responsabilidade social ainda não decide compra.

Os consumidores brasileiros estão cada vez mais interessados nas práticas de responsabilidade social das empresas. A constatação está na pesquisa “Responsabilidade Social das Empresas – Percepção do Consumidor Brasileiro – Pesquisa 2006-2007”, divulgada pelo Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e a Market Analysis Brasil.

A publicação reúne dados coletados nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife e Brasília, por meio de entrevistas com 800 pessoas entre 18 e 69 anos. O relatório é o mais recente de uma série de estudos realizados desde 2000 e reúne dados coletados nos anos de 2005 (pesquisa 2006) e 2006 (pesquisa 2007).

Segundo a pesquisa, 77% dos brasileiros têm muito interesse em saber como as empresas tentam ser socialmente responsáveis, índice que revela estabilidade se comparado aos dados registrados nos levantamentos anteriores (2004 – 72%; 2005 – 78%; 2006 – 75%). “Esse aspecto é bastante positivo e reforçado por outro dado da pesquisa. Para 64% dos entrevistados, o Estado deve regular mais diretamente as questões de responsabilidade social empresarial, mesmo que isso implique em preços mais altos e menos empregos”, destaca o diretor-presidente do Instituto Akatu, Helio Mattar.

Ainda segundo o estudo, 63% dos entrevistados manifestaram expectativas com as chamadas responsabilidades cidadãs das empresas (‘ajudar a resolver problemas sociais’, ‘ajudar a reduzir a distância entre ricos e pobres’, ‘apoiar políticas e leis favoráveis à maioria da população’ e ‘reduzir violações de direitos humanos no mundo’). Outro dado relevante é o de entrevistados que concordam com a afirmação de que ‘as empresas estão fazendo um bom trabalho em construir uma sociedade melhor para todos’: 66,5%, quase dez pontos acima do registrado em 2005.

Sem interferência

Embora o estudo mostre que há uma estabilidade no interesse de consumidores pelo tema, a pesquisa revela, também, que a responsabilidade social das empresas ainda não decide a compra. Vinte e quatro por cento dos entrevistados responderam que pensaram em premiar ou efetivamente premiaram as companhias socialmente responsáveis, comprando produtos ou falando bem dessas empresas. Por outro lado, 27% consideraram a hipótese de punir ou efetivamente puniram empresas que, em sua opinião, não eram socialmente responsáveis, deixando de comprar produtos ou criticando a empresa para outras pessoas.

Esses percentuais já foram muito mais altos: na edição 2000 do estudo, 39% dos entrevistados revelaram ter premiado ou pensado em premiar empresas e 35% declararam ter punido ou pensado em punir. A queda nos percentuais pode ter relação com o fato de que os consumidores não estão ainda suficientemente informados sobre as práticas das empresas em responsabilidade social. Um dos indicativos disso é que 51% dos entrevistados na pesquisa 2007 integram o grupo de pessoas que, apesar do alto interesse em responsabilidade social empresarial, dispõem de pouca ou nenhuma informação sobre o tema.

Mas, segundo Helio Mattar, o baixo índice registrado na pesquisa pode também ser explicado por outros fatores. “Mais de 50% dos entrevistados, declaram achar que as empresas não divulgam com honestidade e veracidade suas ações de responsabilidade social. Se não confiam nessa comunicação, não há porque punir ou premiar”, avalia. Ainda segundo ele, tanto o movimento de responsabilidade social, quanto o do consumo consciente são fenômenos sociais recentes, por isso os dados flutuam muito de um ano para o outro. “Ainda não são conceitos internalizados”, completa.

Em comparação aos dados apurados em outros países, o Brasil apresenta grau menor de mobilização tanto no sentido de premiar como de punir empresas. Entre os países em desenvolvimento, os percentuais médios registrados são de 21% (efetivamente premiaram) e 19% (efetivamente puniram) e entre os países desenvolvidos, atingem 34% (efetivamente premiaram) e 39% (efetivamente puniram).


Instituto Akatu pelo Consumo Consciente - Telefone: (11) 3643 2712 / 2714

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