Brasil sobe em índice de atratividade para investimentos em renováveis

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País avança duas posições e passa a ocupar o 12º lugar.

O último ano marcou um bom momento para o Brasil no cenário global de energias renováveis. É o que aponta o relatório divulgado pela Ernst & Young. O estudo mostra que o País subiu duas posições no ranking em relação a 2012 e passou a ocupar a 12ª posição.

O avanço brasileiro no índice de atratividade para investimentos em renováveis pode ser explicado pela realização de cinco leilões de energia renovável no ano passado, incluindo o primeiro exclusivamente de energia solar. Neste, foram aprovados seis projetos num total de 123 megawatts (MW) a uma média de US$ 96 por megawatt-hora (MWh).

Para o diretor da Neosolar Energia, Raphael Pintão, o Brasil tem grande potencial para geração de energia solar. Atuando há quatro anos como consultor e executor de projetos fotovoltaicos, ele garante que em uma região menor do que a cidade de Brasília seria possível produzir energia suficiente para abastecer todo o país, ainda que este seja um exercício teórico, visto que o ideal é sempre uma matriz energética mista e balanceada, onde se aproveitam os benefícios de cada fonte.

“O potencial é enorme, somos realmente privilegiados. Em nossa região com menor radiação, o potencial é 40% maior que a melhor região da Alemanha, país que possui 30% da capacidade instalada do mundo”, explicou.

O representante da Neosolar é otimista quanto ao futuro da energia solar no Brasil. Desde 2012, com a regulamentação da Resolução Normativa nº 482 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que permite que o consumidor produza sua própria energia – o Brasil começou a avançar, e incentivos fiscais e leilões exclusivos de energia solar devem acontecer em 2014, encorajando ainda mais a indústria.

Entretanto, vale lembrar que a eólica continua a dominar os projetos de energias renováveis no Brasil, embora ainda haja dúvidas de que possam ser mesmo entregues. Em novembro, o País aprovou 39 projetos eólicos num total de 830 MW e assegurou mais 2,3 gigawatts (GW) no leilão A5 de dezembro, a um custo médio de US$ 51 MWh. Em dezembro, também foram concedidos 1 GW de hidroeletricidade e 160 MW de biomassa. O leilão A5 atraiu 35 GW em propostas.

A China manteve seu segundo lugar no índice em relação a 2012, mas apresentou grande desenvolvimento do setor renovável, se aproximando dos Estados Unidos, que ficaram com a primeira posição. Esse avanço se deveu em parte ao aumento de 12 GW na capacidade solar e de 14 GW na capacidade eólica do país em 2013. Neste ano, a China pretende implementar mais 18 GW de energia eólica, e as instalações offshore devem ganhar prioridade.

O Japão também subiu do 5º para o 4º lugar no índice, apresentando um desenvolvimento em seu setor renovável principalmente devido ao fechamento de usinas nucleares e ao alto custo de importação do gás natural e do carvão. No país, a capacidade renovável cresceu 7 GW no último ano, e a energia solar, em especial, apresentou um rápido crescimento.

Já grandes potências estabelecidas da energia renovável, como os EUA, a Alemanha , o Reino Unido e a Espanha, não apresentaram um 2013 tão bom. No caso dos norte-americanos, isso ocorreu devido a incertezas políticas, ao preço barato do gás de xisto e ao lapso de créditos para a energia limpa.

A Alemanha apresentou uma terceira posição menos sólida devido ao corte de subsídios do governo para algumas tecnologias renováveis, sugerindo que o desenvolvimento de nova capacidade no país pode se tornar mais difícil de agora em diante.

Na Espanha, a determinação de reduzir o déficit orçamentário do país levou a medidas dramáticas, como limites de rentabilidade, ajustes monetários em tarifas feed-in e impostos fixos na geração de energia elétrica.

Em relação às tendências de crescimento, o estudo apontou Uruguai, Malásia, Indonésia, Quênia e Etiópia como países a serem observados neste ano devido à expansão de seus mercados, que têm chances de “substituírem os mercados europeus, que terão potencial limitado de crescimento” em 2014.

O levantamento afirma que a resiliência, a eficiência e a eficácia serão os maiores fatores para um bom desenvolvimento renovável em 2014. O relatório ressalta a importância de os governos “despolitizarem” as negociações de energia para evitarem a estagnação, e também de as empresas aprenderem a se adaptar às muitas turbulências políticas e econômicas que atingem frequentemente a indústria renovável.

“Em suma, ‘eficiência’ e ‘eficácia’ precisam ser as palavras de ordem deste ano. O mercado deve focar em: integração da cadeia de valores, consolidação em uma escala global, operação e eficiência de capital e melhorias de tecnologia”, colocou Ben Warren, líder de transações globais em tecnologia limpa da Ernst & Young.

“As energias renováveis são agora um mercado verdadeiramente global, e os interessados devem desenvolver estratégias e uma cadeia de suprimentos abrangentes, serem flexíveis a mudanças de mercado e estarem dispostos a procurar novos mercados”, concluiu Warren.

O relatório da Ernst & Young está disponível neste link.

(Responsabilidade Social com informações do Instituto CarbonoBrasil e do CicloVivo)




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