Balé sobre rodas

A telefonista Adelina Perez, 43 anos, aluna há mais de cinco, treina com o professor Alexandre

A telefonista Adelina Perez, 43 anos, aluna há mais de cinco, treina com o professor Alexandre

Santos, a única cidade do país a ter uma escola municipal de balé em cadeira de rodas, sediará campeonato brasileiro da modalidade

A cidade de Santos (SP) será palco no mês de julho da 9ª edição do Campeonato Brasileiro de Dança em Cadeira de Rodas. Promovido pela Confederação Brasileira de Dança em Cadeira de Rodas (CBDCR), o evento reunirá atletas de vários estados e incluirá a Mostra Artística Nacional. Os dois eventos devem contar com mais de 60 participantes.

Essa é a segunda vez que a cidade sedia o evento. Pioneira em políticas voltadas à acessibilidade de pessoas com necessidades especiais no transporte, em vias e equipamentos municipais, Santos também é referência no incentivo desses cidadãos ao esporte e à arte. Desde 2005, a cidade tem uma escola municipal de dança em cadeira de rodas. Trata-se da única do gênero em todo o país.

Coordenada pela prefeitura de Santos, a unidade foi criada pela bailarina Luciana Ramos. Atualmente, conta com 16 alunos cadeirantes, além da participação de 14 andantes do curso de dança esportiva. Ao todo, os alunos da escola já obtiveram 13 títulos em competições.

A finalidade é a formação de bailarinos cadeirantes nas vertentes artística e competitiva, com base no método LAS, criado pela própria Luciana. “Procuro respeitar o espaço, tempo e limite de cada aluno, explorando o que cada um tem de melhor para oferecer à arte”, diz a professora, formada na Escola de Bailado Municipal e no Conservatório Santista de Dança, com Alexandre Siqueira, que se destaca na trajetória de dança de salão.

Ao som de ritmos latinos (rumba, cha-cha-chá e samba, entre outros) e standards (como valsa e tango), os fundamentos trabalhados são equilíbrio, expressão, posicionamento, musicalidade, postura, respiração e coordenação motora, espacial e global, contribuindo assim para maior autonomia do cadeirante. Outro benefício indireto é a autoestima.

A telefonista Adelina Perez, 43 anos, aluna há mais de cinco, conta que já participou de atividades como natação e musculação, mas preferiu a dança por que ela estimula seu lado artístico. “Você aprende a dominar o corpo e isso vai passando para sua vida. Melhorou muita minha vaidade e meu condicionamento físico”. Adelina, que não sabia dançar, em 2007 chegou a ser campeã brasileira de dança esportiva em cadeira de rodas, em parceria com o professor Alexandre.

Segundo a presidente da CBDCR, Eliana Lucia Ferreira, com exceção de Santos, os grupos com cadeirantes no país são mantidos por universidades, associações de deficientes ou pela iniciativa privada. “A escola municipal de Santos é pioneira e deve servir de modelo para outras prefeituras. Nela atuam pessoas sérias, técnicas e competentes, que estão comprometidas com as pessoas com deficiências”.

Pontos de leitura

Além de pioneira na dança adaptada, a cidade também ostenta a 11ª posição no país no ranking dos municípios brasileiros com maior número de bibliotecas, como o índice de 1,67 para cada grupo de cem mil habitantes. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Cultura e são resultado de uma pesquisa que avaliou 263 cidades no Brasil.

No total, a cidade possui sete bibliotecas, que, juntas, disponibilizam 84.600 exemplares para consultas ou empréstimos. O município ainda dispõe de uma Gibiteca, localizada no Boqueirão, e uma Hemeroteca, na Vila Mathias. Santos é a quarta cidade de São Paulo em número de biblioteca.


Prefeitura de Santos - Telefones: (13) 3201-5060 / 3201-5360

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