Sebastião Luiz de Mello

Para presidente do CFA, crise não vai impactar nos investimentos sociais

Para presidente do CFA, crise não vai impactar nos investimentos sociais

O presidente do Conselho Federal de Administração (CFA), Sebastião Luiz de Mello, afirma na entrevista exclusiva ao Responsabilidade Social.com que o principal desafio para as empresas na área de responsabilidade socioambiental ainda é cultural. De acordo com ele, “não basta impor um novo procedimento para o funcionário: é preciso fazer um trabalho de mobilização e sensibilização”.

Mello também avalia o atual cenário do movimento de responsabilidade social corporativo, aponta as empresas sustentáveis do Brasil e explica como o CFA tem atuado nesse contexto. Ele destaca, ainda, quais as oportunidades que se abrem para as empresas sustentáveis. Acompanhe.

1) Responsabilidade Social – Na sua avaliação, quais são os principais desafios para as empresas quando o assunto é sustentabilidade ambiental?
Sebastião de Mello
– Existem vários desafios e um deles é cultural. Vivemos em uma sociedade consumista, em que o produto que compro hoje já não atende minhas necessidades amanhã. Para ter conforto consumimos mais água, energia, entre outros. Por isso, é complicado às vezes implementar uma ação sustentável dentro da empresa e conseguir o apoio dos colaboradores.

Não basta impor um novo procedimento para o funcionário: é preciso fazer um trabalho de mobilização e sensibilização no sentido de fazer com que o colaborador internalize as práticas sustentáveis propostas pela empresa e, inclusive, repasse e pratique esse comportamento fora da empresa também. O mesmo vale para clientes e fornecedores. É preciso promover uma mudança cultural com todos os públicos.

2) RS – Como o senhor vê o momento atual e sua expectativa sobre o movimento da responsabilidade social empresarial das empresas no Brasil e no mundo?
SM
– Vejo esse momento como uma oportunidade. Anos atrás as empresas se preocupavam pouco com as ações sustentáveis. Havia pouco conhecimento sobre o assunto e, pouco do que era feito não surtia muito efeito. Porém, atualmente, crescer economicamente sem prejudicar o auto-sustento das futuras gerações virou uma necessidade e um desafio para muitos gestores. A sociedade também passou a cobrar mais atitude das empresas nesse sentido.

3) RS – Quais as oportunidades que se abrem para as empresas sustentáveis?
SM
– Muitas. A preocupação com o meio ambiente tornou-se um diferencial competitivo, pois as empresas sustentáveis são bem vistas no mercado, são valorizadas pelos consumidores, geram economia, são mais competitivas, geram confiança perante os investidores, seus colaboradores trabalham mais satisfeitos, entre outras vantagens.

4) RS – Qual a melhor estratégia para implementar uma agenda socialmente correta nas organizações?
SM
– Quem deseja implementar uma agenda sócio-responsável, sugiro que procure, primeiramente, uma consultoria especializada no assunto. O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, por exemplo, ajuda as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável. Depois, é preciso envolver todos os colaboradores. Quando os gestores internalizam práticas ambientais e repassam essa preocupação para seus públicos – funcionários, clientes, fornecedores, entre outros – a gestão ambiental surte efeito positivo e é reconhecida pelos consumidores.

5) RS – Como o CFA atua neste setor? De que forma ele apoia a adoção de gestões sustentáveis?
SM
– Em março de 2008, o CFA tornou-se signatário do Pacto Global. Com isso, começamos a desenvolver ações e práticas que visam ajudam o Pacto a alcançar os dez princípios nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção.

6) RS – O senhor poderia destacar as principais ações do CFA na área socioambiental?
SM
– Em 2010, a autarquia promoveu campanhas de doação de brinquedos e de material escolar, divulgou a campanha de arrecadação de donativos promovida pelo CRA-RJ [Conselho Regional de Administração] para ajudar as vítimas das enchentes ocorridas no Estado, realizou eleições do Sistema CFA/CRAs via internet evitando a emissão de papel e o deslocamento de eleitores, ajudando a reduzir a emissão de gases poluentes, entre outras ações.

Este ano, o CFA enviou ofício para os CRAs solicitando adesão dos regionais aos Pacto Global. Além disso, a autarquia vai criar o Manual de Orientação ao contribuinte sobre como fazer doações aos Fundos para Infância e Adolescência. A edição de 2011 do Prêmio Belmiro Siqueira de Administração terá, também, a modalidade “Empresa Cidadã”, cujo objetivo é premiar a empresa que desenvolva ações bem sucedidas de responsabilidade social. O CFA pretende, também, criar um site específico para o Pacto Global, deseja adotar práticas de reciclagem, redução e reutilização de materiais, e quer aplicar os indicadores Ethos de Responsabilidade Social.

7) RS – Qual o seu entendimento do termo responsabilidade social?
SM
– Entendo responsabilidade social como os deveres e obrigações que as pessoas e as empresas precisam ter com a sociedade e o meio ambiente. São ações realizadas para promover um benefício mútuo, levando em consideração a saúde, economia, meio ambiente, a cultura, entre outros. Uma empresa sócio responsável adota uma gestão ética e transparente com seus stakeholders.

8) RS – Na sua opinião, quais empresas podem ser apontadas como responsáveis no país? E no Distrito Federal?
SM
– O Brasil tem várias empresas sócio-responsáveis. O próprio Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa nos traz uma lista de empresas que têm compromisso social e ambiental. Nessa lista estão empresas como a Natura, Santander, Bradesco, Vivo, entre outras. No Distrito Federal, temos vários exemplos também. O Laboratório Sabin, por exemplo, realiza vários projetos interessantes com crianças, adolescentes, além de ações internas com os próprios funcionários. Podemos citar, ainda, o shopping Pátio Brasil que “adotou” uma nascente na cidade, promove a coleta seletiva do lixo e ainda montou um posto de coleta de baterias, lâmpadas e outros produtos poluentes.

9) RS – Para o senhor, a nova crise financeira afetará os investimentos sociais? Qual impacto desse cenário no Brasil?
SM
– A crise, proporcionalmente, afeta todos os segmentos. Mas acredito que os investimentos sociais não serão os primeiros a serem cortados em um uma situação de crise em que todos começam a suprimir gastos.


Conselho Federal de Administração - Telefone: (61) 3218-1825

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