Projetos de Responsabilidade Social

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Desde a década de 90 que o número de ONGs vem crescendo muito, estimulado pelo fortalecimento da sociedade civil e sua crescente conscientização e mobilização para soluções de problemas sociais. As desigualdades e a pouca ou ineficiente atuação das esferas do governo nesse aspecto fez com que as ONGs passassem a intermediar ações do Estado onde este não é capaz de atender. Nesse cenário, surgem os investimentos sociais originados da iniciativa privada, para financiar ONGs ou para financiar seus próprios projetos.


Com esse panorama surgido há anos, os investimentos sociais evoluíram e acompanharam o avanço do terceiro setor. O início da discussão sobre responsabilidade social corporativa foi um estímulo a mais para que empresas se dispusessem a ser protagonistas nas mudanças sociais.


Observando o movimento de responsabilidade social do país é louvável perceber e destacar o quanto a iniciativa privada tem influenciado esse movimento. As empresas estão cada vez mais engajadas de forma a tornar o desenvolvimento sustentável uma prática comum a todos: consumidores, fornecedores, empresas, governo…


Empresas vêem os investimentos em projetos sociais e de responsabilidade social como uma vantagem competitiva em relação a outras que não adotam a mesma estratégia. Quem sai ganhando é a sociedade. O investimento em ações de desenvolvimento sustentável é a saída que as empresas encontraram para continuar tendo um mercado que consuma seus produtos, com redução de impactos negativos, mas com o consumo constante e consciente. A responsabilidade para essas organizações é ainda maior.


Dessa forma, muitos são os editais lançados por empresas de diversos ramos de atividade para financiar projetos sociais, desde os de cunho ambiental, até os de geração de emprego e renda, educação e saúde. Ficar atento a esses editais é um dever das ONGs que desejam obter financiamentos para seus projetos, sendo esta uma das formas de captação de recursos.


Recentemente, tivemos o lançamento de editais e programas como o Programa Petrobras Ambiental, que selecionará projetos ambientais que atendam o tema “Água e Clima: contribuições para o desenvolvimento sustentável”, as inscrições vão até 24 de setembro, destinando R$ 60 milhões para isso. Mais informações no site da companhia. Outras instituições de iniciativa social privada que freqüentemente estão lançando editais em diversas áreas são: Fundação Itaú Social, Instituto Wal-Mart e Fundação Bradesco, entre inúmeras outras.


Mais um mito que cai. Não há necessidade de esperar iniciativas públicas ou pensar que o terceiro setor está sozinho. A mobilização empresarial do Brasil em busca de um mundo sustentável surpreende, inclusive, entidades internacionais que têm investido no fortalecimento das redes de responsabilidade sócio-ambientais existentes, capacitando-as e instrumentalizando-as para colocar suas iniciativas em prática. É o exemplo da recente concorrência realizada pela InWent, organização alemã, encerrada em maio, que tinha o objetivo de selecionar parceiros para a capacitação de líderes nos princípios de RSE para posterior multiplicação.


O mercado tem respondido bem a essas ações positivas, agindo de forma consciente e aprendendo a escolher melhor os seus bens de consumo. Motivo pelo qual as empresas que vendem produtos sustentáveis estão crescendo e novas estão surgindo, como se pode verificar no Catálogo de Produtos e Serviços Sustentáveis (www.catalogosustentavel.com.br), desenvolvido pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, Fundação Getúlio Vargas, com o apoio do Banco Real ABN AMRO. Nesse catálogo é possível identificar produtos que atendem aos critérios de sustentabilidade de cada região do país.


Dessa forma, a competitividade sustentável criada através da conscientização e do investimento em iniciativas privadas tem proporcionado discussões e claras alterações no mercado brasileiro. É um caminho longo a ser percorrido, mas a resposta aos passos dados é bastante positiva.