Marcos Rossa

Terminal da Libra no Rio de Janeiro

Terminal da Libra no Rio de Janeiro

Marcos Rossa, gerente de Sustentabilidade e Segurança do Trabalho do Grupo Libra, um dos maiores operadores portuários e de logística de comércio exterior do país, detalha o Relatório Anual e de Sustentabilidade referente ao exercício de 2012. A instituição foi a primeira empresa do setor portuário a reunir os seus dados em relatório elaborado dentro das diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI) e já avançou na classificação concedida pela entidade – do conceito C de 2011, para a classificação B, obtida agora.

A companhia, que ultrapassou R$ 1 bilhão de faturamento em 2012, registrou um investiu social de R$ 1 milhão no período. N área ambiental, foram aplicados R$ 13,4 milhões, incluindo novos equipamentos. A companhia reduziu em quase 10% suas emissões diretas de C0² em três anos e diminuiu em 74% os acidentes de trabalho até setembro deste ano em comparação com o mesmo período no ano anterior.

“Buscamos sempre uma evolução continua de forma ética e transparente. Sustentabilidade comporta a base transversal da nossa excelência em gestão e permeia toda a nossa atuação, desde nossos acionistas a todos os nossos colaboradores”, observa Rossa em entrevista exclusiva ao Responsabilidade Social.com. Acompanhe:

Responsabilidade Social – O Grupo Libra apresentou recentemente o relatório anual de sustentabilidade referente ao exercício de 2012. Em linhas gerais, o senhor poderia destacar como está pautada a gestão socioambiental da instituição?
Marcos Rossa
– A gestão socioambiental do grupo está pautada por compromissos públicos com o desenvolvimento sustentável de nossas operações, assumidos a partir de 2012: a redução de emissões de gases de efeito estufa (principalmente no consumo de diesel); a redução, tratamento e destinação adequada de resíduos; a formação de jovens para o primeiro emprego nas comunidades do entorno e a melhoria de segurança do trabalho e capacitação para a sustentabilidade de nossos colaboradores.

RS – A publicação mostra que a companhia reduziu em quase 10% suas emissões diretas de C0² em três anos. Como foi possível alcançar esse resultado?
MR –
Seguem algumas das medidas tomadas no sentido de redução do consumo de diesel do Grupo Libra. Em nossos terminais foram instalados novos equipamentos, como os RTGs, que diminuem a quantidade de movimentos improdutivos e o consumo de diesel, e os Eco-RTGs que usam o próprio peso dos containers para gerar e armazenar energia para os movimentos seguintes. Além disso, em 2012, um sistema auxiliar de potência (RISGA) foi instalado em 11 RTGs, permitindo a redução do consumo de combustível fóssil em até 15% nos momentos em que as máquinas estão paradas. Já a CNA (Companhia de Navegação da Amazônia) adotou um planejamento mais adequado para envio de cargas, com o estabelecimento de um número mínimo de balsas transportadas por empurradores, reduzindo o consumo de diesel.

RS – Quais são, atualmente, as principais ações do Grupo Libra na área de responsabilidade socioambiental?
MR
– São muitas ações, como as em prol da diminuição do efeito estufa, da destinação correta de resíduos e da reciclagem. Nesse último quesito, a empresa foi a primeira do setor portuário a instalar um sistema de reciclagem parcial dos filtros de óleos utilizados nos equipamentos. Ainda nesse tema, os uniformes em desuso de nossos colaboradores, que antes iam para aterros sanitários, agora são doados como matéria-prima para artesanato feito a mão nas comunidades do entorno. De janeiro de 2012 até o começo de 2013, 1280 kg de uniformes foram encaminhados para reciclagem. Além de um destino correto para o material, estes estão gerando renda e valor para artesãs das comunidades.

No que se refere à política de investimento social, o Grupo Libra direciona as ações da área em dois eixos de investimentos: apoio às entidades que mobilizam a sociedade como ferramenta de desenvolvimento local, e capacitação para o primeiro emprego de jovens de baixa renda da comunidade, promovendo a conscientização para a cidadania e sustentabilidade.

Alguns exemplos são o projeto Libra Cidadania, que além de formar jovens em cursos de operações de logística portuária, também dissemina a apropriação de conceitos de cidadania, ética e sustentabilidade, já tendo beneficiado quase 220 jovens. Neste programa atuamos sempre em parceria com renomadas instituições acadêmicas como a Universidade Católica de Santos (UniSantos), o Senai no Rio de Janeiro, a Faculdade da Região dos Lagos de Cabo Frio e o Centro Universitário Salesiano (UniSal) em Campinas. Outras iniciativas são o apoio ao instituto Arte no Dique, que oferece oficinas e ações culturais a mais de 500 crianças e jovens, com foco na inclusão social e na valorização da cultura local em uma das áreas mais carentes de Santos e o Movimento Rio Como Vamos, que tem como objetivo influenciar políticas públicas por meio da gestão de indicadores da cidade, como saúde, transporte, educação, segurança pública, pobreza e desigualdade social, meio ambiente, lazer e esporte, saneamento básico, inclusão digital, trabalho, emprego, renda e orçamento.

RS – A companhia registrou faturamento superior a R$ 1 bilhão em 2012. Qual montante foi direcionado para as ações socioambientais no ano passado? Quanto já foi investido em 2013?
MR
– O investimento social foi de R$ 1 milhão e, na área ambiental, foram aplicados R$ 13,4 milhões, incluindo novos equipamentos.

RS – O senhor poderia destacar os maiores desafios do grupo nesse setor?
MR –
Um dos grandes desafios é a melhoria contínua na área de segurança do trabalho, focando na redução de acidentes com afastamentos, o que não tem tolerância aceitável. Temos investido muito em capacitação e engajamento da liderança e de colaboradores para ampliar a conscientização de segurança mitigando riscos e acidentes, e já conseguimos reduzi-los em 74% até setembro deste ano em comparação com o mesmo período no ano anterior, mas não estamos satisfeitos até que tenhamos acidente zero. Mas o maior desafio de todos, que merece nossa atenção e cuidado permanentes, é a construção de uma cultura socioambiental sólida e orgânica, que se torne um valor inerente ao negócio.

RS – O Grupo Libra foi a primeira empresa do setor portuário a reunir os seus dados em relatório elaborado dentro das diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI). Como o senhor avalia o setor portuário na área socioambiental? Na sua opinião, trata-se de um segmento responsável? Por quê?
MR
– É um setor cujo desenvolvimento na área de sustentabilidade está evoluindo e temos orgulho de ser um dos protagonistas desse neste tema. Tanto que a Abratec (Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público) neste ano passou a coletar e divulgar os seus indicadores de sustentabilidade e segurança, mostrando que há uma conscientização cada vez maior no setor.

RS – O senhor acredita que os resultados do Grupo Libra na área de responsabilidade social em 2013 serão mais satisfatórios do que os alcançados em 2012? Quais são os principais avanços da companhia neste ano?
MR
– Buscamos sempre uma evolução continua de forma ética e transparente. Sustentabilidade comporta a base transversal da nossa excelência em gestão e permeia toda a nossa atuação, desde nossos acionistas a todos os nossos colaboradores. Evoluímos no acompanhamento e mitigação do impacto de nossas operações no meio ambiente e no meio social onde atuamos, através de ações sociais junto às comunidades e com gestão de nossos indicadores de sustentabilidade em cada unidade de negócio.

Chegamos a substituir em 2013 o gás da rede de refrigeração (gás refrigerante Freon R22, HCFC) de nossa unidade da Libra Logística em Campinas após identificação em nosso inventário de gases de efeito estufa do grande impacto deste no total de emissões do grupo e no meio ambiente, trocando-o pelo gás MO029, que é um fluido refrigerante HFC e que não degrada a camada de ozônio, sendo ecologicamente correto. Tudo isso é fruto de um trabalho intenso que se dá no dia a dia quando sustentabilidade passa a compor os rituais e decisões de negócio.

RS – Quais as metas do grupo nesse setor para 2014?
MR
– O Grupo Libra terá muitas obras de expansão em 2014, em várias unidades, começando pela Libra Terminais Rio. Nossa meta é realizá-las com os menores índices possíveis de impacto ambiental, destinando resíduos corretamente, como no caso do Rio usando a via marítima, para não prejudicar o trânsito de acesso ao porto nem a comunidade do Caju, com altos padrões de segurança. Queremos continuar fortalecendo o investimento social e transformando a vida de jovens do entorno das nossas operações.

RS – Qual o seu entendimento do termo ‘responsabilidade social’?
MR
– Para nós, responsabilidade social está fortemente ligada ao conceito usado pelo grupo em nossa visão: o bom crescimento, que é crescer promovendo o crescimento de todos que se relacionam conosco, em harmonia com o ambiente, com os colaboradores e com a sociedade.

O Relatório Anual e de Sustentabilidade está disponível neste link.


Grupo Libra - Telefone: (11) 3284-6147

Também nessa Edição nº: 169
Entrevista: Ana Moser e Eunice Lima
Artigo: Liderança Sustentável
Notícia: Em busca da inclusão social
Notícia: Líderes globais discutem soluções para desafios sociais e ambientais
Notícia: Projeto ligado à saúde vence maior premiação de empreendedorismo social da América Latina
Oferta de Trabalho: Procura-se (12/2013)