Marcelina Moraes

O Centro Cultural Piollin iniciou o calendário letivo da instituição no último mês. O portfólio traz uma programação variada com cursos gratuitos, que vão do circo ao teatro, passando pela leitura, filosofia, música e meio ambiente. A instituição atua na capital paraibana e beneficia, principalmente, a população de baixa renda.

“O foco das ações educativas é o público de baixa renda, mas é aberto à demanda de pessoas de outros estratos sociais”, destaca a coordenadora administrativa do Piollin, Marcelina Moraes. A programação pedagógica da instituição atualmente é mantida com recursos do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Em entrevista exclusiva, Marcelina detalha as atividades do centro e antecipa as metas da instituição, criada há 35 anos, para 2013. Entre elas está melhorar a gestão e consolidar o projeto pedagógico. Acompanhe.

1) Responsabilidade Social – O Centro Cultural Piollin desenvolve ações pedagógicas no campo da arte e cultura voltadas para crianças, adolescentes e jovens do município de João Pessoa (PB). Quais as principais atividades realizadas atualmente?
Marcelina Moraes
– Hoje, o Piollin desenvolve um conjunto de programas orientados em três linhas de atuação: melhoria dos espaços físicos e recuperação dos ambientes internos e externos; requalificação do projeto político-pedagógico, que tem como foco a educação integral de crianças, adolescentes e jovens de escolas públicas; e o incremento da difusão da produção cultural, orientado pela ação colaborativa entre grupos culturais de diversas regiões do país. Importante afirmar que todas essas atividades buscam fortalecer os espaços de arte e cultura nos diferentes bairros da cidade de João Pessoa.

2) RS – A missão do CCP é estimular o potencial expressivo e de comunicação do público atendido, visando o desenvolvimento pessoal e a integração social por meio da educação e de atividades artístico-culturais. Dentro dessa proposta, qual o papel das comunidades beneficiadas para a definição das ações a serem realizadas. Há uma troca entre o CCP e o público-alvo?
MM
– O interesse primeiro da comunidade se manifesta na procura pelas oficinas, pela programação cultural e o uso dos espaços para a dinâmica de seus grupos socioculturais, como fluxo natural em resposta ao longo tempo de atuação e presença ativa da organização na comunidade.

A frequência de público das oficinas saltou de 42 para 83, entre 2010 a 2012. Em relação às escolas públicas que buscam a programação de espetáculos artísticos e visitas ao Centro Cultural Piollin, o número cresceu 70%, de 2011 a 2012, totalizando 14.029 pessoas atendidas. Esse número considera a presença desse público nos espaços da organização e ida aos espetáculos produzidos nas oficinas de arte do projeto pedagógico para as escolas públicas e diversas organizações sociais dos bairros próximos a sede do Piollin.

A organização ainda mantém um trabalho de cooperação com dois grupos culturais do Bairro Roger: Quadrilha Junina Lajeiro Seco, grupo fundado em 1954, e o Grupo de Capoeira Orun Aiyé. Essa cooperação se dá por meio da cessão de espaços para ensaios, produção de figurinos e adereços e realização de encontros regionais de capoeira.

No caso específico da manutenção da estrutura física e da programação artística e cultural, mantém-se uma parceira com mais quatro grupos de teatro e circo da cidade, que lhes asseguram espaços para ensaios e apresentações, como forma de gerar recursos para conservação dessa estrutura e, ao mesmo tempo, contribuir para a ampliação da acessibilidade da produção cultural no território de atuação do projeto (Bairro Roger).

3) RS – A instituição já soma 35 anos de atuação. Como evoluiu a abordagem do CCP ao longo dessas mais de três décadas?
MM
– De um grupo de teatro que fundou a organização, com o propósito de garantir um espaço adequado para as atividades de estudos e produção cênica, esse trabalho evoluiu posteriormente para as ações educativas, atendendo as demandas sociais dos bairros próximos a sede do Piollin. Paralelo a essa atuação, o intercâmbio com os grupos artísticos da cidade e de diferentes regiões do país ocupou e ainda ocupa importante espaço na agenda de trabalho da organização. Isso integra e fortalece a proposta educativa.

4) RS – Qual o perfil do público-alvo do CCP?
MM
– O foco das ações educativas é o público de baixa renda, mas aberto a demanda de pessoas de outros estratos sociais. No caso das atividades de difusão cultura, manutenção da programação artística, o público vai de alunos de escolas públicas, universitários, enfim, de diferentes estratos sociais.

5) RS – Qual o balanço que pode ser apresentado? Quantas pessoas foram beneficiadas ao longo de 2012?
MM
– Registramos inicialmente a evolução da nova proposta político pedagógica, que foi reformulada em 2010. Registrar o apoio fundamental do Curso de Psicologia da UFPB [Universidade Federal da Paraíba], por meio de atividades coordenadas pela professora doutora Ângela Fernandes e equipe de estagiários desse curso. É visível o crescimento da área de gestão da entidade, no sentido de se aproximar de novas metodologias nesse campo. Já havíamos, por exemplo, realizado um planejamento estratégico com apoio do Sebrae-PB [Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas], em 2009. Em 2012, fizemos um novo planejamento com o apoio novamente do Sebrae. Dessa vez, esse trabalho foi realizado com mais quatro grupos de teatro da cidade e contou com a consultoria da empresa Ravel Cultural (MG).

6) RS – Na sua avaliação, qual o papel do CCP para o fortalecimento da identidade cultural de João Pessoa?
MM
– Penso que esse trabalho educativo, abrindo oportunidades para a formação integral de crianças e jovens aliada ao intercâmbio com grupos de artes cênicas de diferentes regiões do país, marcam a presença do Centro Cultural Piollin na cena cultural da cidade.

7) RS – Quais as metas do CCP para 2013?
MM
– Concluir as reformas estruturais – melhoria dos espaços físicos, qualificação do quadro de pessoal e fortalecimento da gestão. Junto com a ampliação do público para o projeto pedagógico a partir da sua requalificação, completa as principais metas da organização.

8) RS – Como você avalia as políticas públicas brasileiras voltadas para o acesso a bens culturais e qual o papel do CCP nesse contexto?
MM
– Houve uma mudança que teve repercussão nacional a partir das políticas implantada pelo Ministério da Cultura, nos últimos dez anos. Alguns poucos estados brasileiros empreendem certo esforço no sentido de qualificar essas políticas. Mas, ainda leva mais um tempo para de fato essas experiências alcançarem um número expressivo de municípios. É necessário também que as experiências bem sucedidas na sociedade ocupem espaços de atuação em rede, na perspectiva de formulação de políticas, de ação mesmo.

9) RS – Qual o seu entendimento do termo ‘responsabilidade social?
MM
– É o de se avançar na geração de oportunidades, diminuição cada vez mais das desigualdades sociais, atenção ao impacto que o desenvolvimento causa no meio ambiente. A educação, nesse aspecto, é uma área fundamental para as mudanças no campo da responsabilidade social.


Centro Cultural Piollin - Telefone: (83) 3241-6343

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