Leonardo Gloor (2011/05)

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Ideias para sustentar o mundo. Esse é o tema da edição 2011 do Prêmio ArcelorMittal de Meio Ambiente, que já envolveu mais de 4,7 milhões de crianças e adolescentes em duas décadas de existência. A iniciativa tem por meta levar o debate ambiental para a sala de aula, mobilizando educadores a trabalhar questões atuais, ligadas ao meio ambiente, ética e cidadania.

Podem participar do concurso, escolas públicas do ensino fundamental localizadas nos municípios onde a instituição possui unidades industriais. O prêmio é aberto também aos filhos dos empregados. São avaliados desenhos e redações sobre a temática.

“O prêmio estimula mudanças de percepções e práticas ligadas à preservação ambiental, incentivando a construção de redes de relacionamento que estimulem o trabalho em equipe das crianças e adolescentes com foco na sustentabilidade”, explica o diretor-superintendente da Fundação ArcelorMittal Brasil, Leonardo Gloor.

Com exclusividade para o Responsabilidade Social.com, Gloor apresenta os grandes números do concurso, que mobiliza anualmente oito mil educadores. O especialista também avalia a educação ambiental no Brasil e aponta os principais desafios para o ensino brasileiro introduzir essa temática de forma eficaz na grade curricular. Acompanhe.

1) Responsabilidade Social – O Prêmio ArcelorMittal de Meio Ambiente completa, em 2011, 20 anos. Quais as grandes mudanças que são possíveis observar ao longo dessas duas décadas na sociedade brasileira em relação aos temas sustentabilidade ambiental, ética e cidadania?
Leonardo Gloor
– Nessas duas décadas, a sociedade brasileira evoluiu ao reconhecer a importância da educação para a cidadania, a ética e a preservação ambiental, posicionando a escola como um lugar privilegiado para a disseminação de valores e práticas orientadas para o bem comum. Porém, ainda temos muito que aprender e praticar, mais praticar do que aprender. A nossa sobrevivência depende do desenvolvimento de uma noção mais ampla de responsabilidade universal, ou seja, entendermos que não podemos mais trabalhar apenas por nós mesmos, pelas nossas famílias ou para a nossa nação, mas para beneficiar toda a humanidade.

Especificamente sobre o Prêmio ArcelorMittal Brasil de Meio Ambiente, ao longo desses anos foi possível perceber os avanços nas escolas que incluíram o prêmio nos seus projetos político-pedagógicos. Mais do que incentivar a produção de redações e desenhos, o concurso amplia o debate ambiental na sala de aula, capacitando e mobilizando educadores a trabalharem questões atuais, como aquecimento global, preservação das águas, alimentação saudável, entre outros.

Em 20 anos, o número de participações de crianças e adolescentes já ultrapassa 4,7 milhões. A média é de cerca de 300 mil alunos do ensino fundamental por ano. Também vale destacar que cerca 940 escolas participam por ano e o concurso envolve mais de oito mil educadores a cada edição e cerca de 3,5 deles são capacitados por ano.

2) RS – Na sua opinião, hoje a educação ambiental é tratada em pé de igualdade com outras disciplinas em sala de aula ou o tema ainda fica em segundo plano?
LG
– A escola inclui a educação ambiental no seu escopo de trabalho como um tema transversal, mas ainda é necessário muito mais. A educação ambiental deve ser associada ao conceito de sustentabilidade e os jovens devem ter em mente que essas diretrizes são fundamentais para o desenvolvimento do bem-estar social em nosso futuro.

3) RS – Quais os principais desafios, na sua avaliação, para o ensino brasileiro introduzir essa temática de forma eficaz nos próximos anos na grade curricular?
LG
– O primeiro passo é melhorar a qualidade da educação. E o sucesso depende da qualificação dos educadores das escolas públicas, onde estão 97% das crianças e adolescentes do país. Ao qualificarmos a escola, estaremos incluindo temas de formação para a vida, como meio ambiente, ética, educação sexual e empreendedorismo – valores necessários à formação dos alunos. Nesse contexto, também são necessários bons materiais e professores que saibam usá-los.

4) RS – E os professores? Estão capacitados para levar esse ensino de forma satisfatória?
LG
– No processo do Prêmio ArcelorMittal de Meio Ambiente, é oferecido aos educadores uma capacitação para trabalhar o tema dentro de sala de aula, de forma interdisciplinar. Além disso, disponibilizamos material para professores e alunos. Em 2011, foram produzidas cerca de 350 mil cartilhas, que orientam e facilitam o trabalho dos educadores e dos alunos. Temos também acompanhado as iniciativas do Ministério da Educação e de várias secretarias estaduais e municipais de Educação, que estão atentos a essa necessidade e já possuem projetos de capacitação dos educadores em curso.

5) RS – Para o senhor, o que precisa ser feito no Brasil para fortalecer a valorização da educação ambiental?
LG
– Os principais pontos que defendo são: educação para todos os públicos; legislação adequada e possível de ser praticada; e criação de políticas públicas para todos os setores (governo, empresas e sociedade). Um exemplo recente foi a proibição do uso de sacolas plásticas em Belo Horizonte (MG). Trata-se de uma nova legislação que implicará na mudança de hábitos da população que, por sua vez, terá que buscar soluções alternativas para carregar suas compras.

6) RS – De que forma o prêmio pode contribuir nesse sentido?
LG
– O Prêmio ArcelorMittal de Meio Ambiente estimula mudanças de percepções e práticas ligadas à preservação ambiental, incentivando a construção de redes de relacionamento que estimulem o trabalho em equipe das crianças e adolescentes com foco na sustentabilidade. O prêmio também potencializa o alinhamento das políticas de educação dos governos federal, estaduais e municipais.

7) RS – Quais as expectativas da ArcelorMittal para edição 2011 do prêmio?
LG
– A expectativa é do forte engajamento das escolas participantes. Para celebrar os 20 anos do prêmio o “Ideias para sustentar o mundo” foi sugerido pelas próprias escolas e esperamos que professores e alunos semeiem a transformação e contribuam, efetivamente, para a sobrevivência da humanidade. Já iniciamos as capacitações dos educadores e tivemos retorno da empolgação dos participantes para o desenvolvimento do trabalho ao longo do ano.

8) RS – Quem pode participar dessa iniciativa?
LG
– Participam as escolas públicas do ensino fundamental localizadas nos municípios onde a ArcelorMittal possui unidades industriais. Também podem participar filhos dos empregados. É importante destacar que os educadores não participantes do prêmio podem consultar as cartilhas, que estão disponíveis para download no site http://www.famb.org.br.

9) RS – O que o senhor entende por responsabilidade social?
LG
– A responsabilidade socioambiental é um dos três pilares de atuação da ArcelorMittal no mundo. Na nossa visão, não é apenas a empresa que deve ser sustentável, mas o entorno também. A empresa produz, lucra e deve compartilhar seus ganhos com a sociedade por meio de programas sociais voluntários.

Não se trata de fazer para a sociedade, o que seria filantropia, mas com a sociedade, envolvendo-se nos projetos elaborados em comum com os municípios, ONGs e outras entidades. Nesse contexto, a questão da responsabilidade socioambiental vai além da postura legal da empresa, da prática filantrópica ou do apoio à comunidade. Significa mudança de atitude numa perspectiva de gestão empresarial.


Leonardo Gloor - Telefone: (31) 3219-1257

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