Jorge Barbosa e Madalena Cabral

Madalena Cabral, supervisora do Instituto Holcim

Madalena Cabral, supervisora do Instituto Holcim

Uma iniciativa brasileira, realizada em Minas Gerais, foi a vencedora na categoria Transformadores do 1º Prêmio latino-americano de Desenvolvimento de Base, patrocinado pela Fundação Interamericana (IAF) e a RedEAmérica. O anúncio foi no último dia 27, em Antigua, na Guatemala.

Trata-se do Projeto Ortópolis Barroso, da Associação Ortópolis Barroso (AOB), realizado desde 2003. A proposta da ação, que conta com apoio do Instituto Holcim, é estimular o desenvolvimento local sustentável nos aspectos econômico, social e ambiental.

O objetivo da premiação foi reconhecer iniciativas comunitárias realizadas na América Latina. O prêmio Transformadores contemplou ações acompanhadas e cofinanciadas por organizações empresariais, tendo como escopo o combate da pobreza e a prática do desenvolvimento de base.

Na entrevista exclusiva, o coordenador Administrativo da AOB, Jorge Barbosa, e a supervisora do Instituto Holcim, Madalena Cabral, detalham o impacto do projeto no município mineiro de Barroso e explicam como a ação é realizada. Destacam o balanço da iniciativa, os principais avanços ao longo da última década e as metas para 2013. Leia a entrevista na íntegra.

1) Responsabilidade Social – O Projeto Ortópolis Barroso foi selecionado como um dos 10 finalistas do 1º Prêmio latino-americano de Desenvolvimento de Base. Como a iniciativa recebeu essa premiação?
Jorge Barbosa
– A chegada da notícia nos deixou muito orgulhosos. O fato de ficarmos entre os 10 finalistas para nós já é um prêmio, que recebemos com a sensação de sermos reconhecidos pelos 10 anos que o projeto completa em 2013.

2) RS – A iniciativa foi criada há uma década. Qual o balanço que pode ser apresentado?
Madalena Cabral
– A inovação pode ser considerada um forte componente do projeto e um fator decisivo para o sucesso da iniciativa. A metodologia construída com o Ortópolis, parte do princípio que a comunidade é agente do seu próprio desenvolvimento e a empresa é um facilitador desse processo de desenvolvimento, que deve ser entendido nos seus aspectos sociais, ambientais, econômicos e culturais.

No contexto de desenvolvimento foi muito inovador o aspecto de convidar representantes da comunidade a pensarem no futuro da cidade, já naquela época com o horizonte de 10 anos, a partir de um planejamento estratégico participativo.

Outro aspecto foi pensar no desenvolvimento local de uma forma integrada, entendendo que o aspecto econômico é um importante elemento para crescimento da comunidade, mas que deve ser articulado com questões sociais, ambientais e culturais. Entender que as organizações de base fazem parte do desenvolvimento, do aumento do capital social, mas que isoladas, são agentes de mudança somente do seu contexto de atuação, e que juntas, articuladas com o poder público e sociedade civil, podem fomentar uma atuação mais estratégica sobre desenvolvimento local.

3) RS – Quais os principais resultados que podem ser destacados?
MD
– Como exemplos de resultados podemos citar a implantação da coleta seletiva no município de Barroso, com a criação da Associação de Catadores e Recicladores de Materiais Reaproveitáveis de Barroso (Ascab) que tirou do lixão mais de 20 famílias que viviam em condições sub-humanas e contribui de forma efetiva para a conscientização da população sobre seu papel para o meio ambiente. Destaque também para o fortalecimento do comércio por meio do projeto Rumo Certo em parceria com a Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços de Barroso (Acib), onde os comerciantes foram capacitados, aumentaram a lucratividade e geraram mais empregos na cidade.

4) RS – A partir do projeto foi criada, em 2004, a Associação Ortópolis Barroso. Além deste projeto, a entidade realiza outras iniciativas?
JB
– Nesses oito anos de existência, a associação apoiou diversos projetos importantes em prol do desenvolvimento local. Entres os principais estão o Papa Luxo que oferece apoio a Ascab, que tirou os catadores da situação de trabalho no lixão e promoveu a auto-estima e melhoria de renda, possibilitando um trabalho mais digno e com mais segurança no seu trabalho, principalmente diminuindo os riscos à saúde. Cito também o Vaca Gorda que promoveu o aumento da renda e a melhoria da qualidade do leite produzido pelos associados da ApleiteBR [Associação dos Produtores de Leite de Barroso e Região].

A instituição desenvolve ainda o Empreender em Família, em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) que promove a geração de renda para mães cujos filhos frequentam a associação por meio da produção e venda de temperos. Outro projeto que vale destacar é o luminecer, que gerou renda para mulheres do Grupo da Igualdade Racial de Barroso (Girb), com a produção de velas artesanais.

Há ainda o Empregabilidade e o Capacitar que promoveram capacitações voltadas para o mercado de trabalho; Rumo Certo e Rumo Certo Serviços que modificou a forma de atuação dos comerciantes e prestadores de serviços, gerando aumento de renda e novos empregos; e Juventude Empreendedora que mudou o comportamento de jovens, gerando a abertura de novos negócios e a reformulação de outros já existentes. Outra iniciativa foi a criação da Associação dos Empresários do setor Eletro Mecânico de Barroso (ASBEM), que uniu os empresários do ramo para que fossem pensadas soluções para o grupo.

Todos os projetos só puderam ser desenvolvidos porque tivemos o apoio de grandes parceiros como o Instituto Holcim, Holcim, IAF (Inter-American Foundation), Sebrae, RedEAmérica, Funasa, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços de Barroso, Emater, Senar, Câmara Municipal de Barroso e Prefeitura Municipal de Barroso.

5) RS – Qual o perfil do público contemplado hoje pela associação?
JB
– A instituição fomenta o desenvolvimento sustentável do município e dessa forma temos atuado junto à sociedade civil de forma geral: população de baixa renda, associações de bairro, jovens, estudantes, empresários, produtores de leite, catadores de materiais recicláveis e etc.

6) RS – Quais as metas da associação para 2013?
JB
– Dar continuidade aos projetos realizados em parceria com o Instituto Holcim e manter o apoio às organizações de base do município em suas demandas. Após o Planejamento Estratégico realizado em 2012, a AOB levantou novos eixos de trabalho para 2013. Teremos outros projetos voltados para geração de trabalho e renda, onde vamos elaborar um diagnóstico da demanda por formação profissional no município a fim de buscar parcerias para a realização de cursos e treinamentos.

Implementaremos projetos nas áreas de lazer, cultura e esportes, visto que é uma grande demanda da comunidade, e realizaremos novos projetos na área de meio ambiente, sendo que nosso foco será a revitalização do Rio das Mortes que corta o município. E, continuando nosso papel de fortalecimento da comunidade, já estamos fazendo um levantamento dos Conselhos Municipais de Barroso para propor um programa de acompanhamento e fortalecimento desses conselhos, principalmente dos representantes da sociedade civil.

E como uma das primeiras ações importantes para 2013, estamos firmando um acordo com o Instituto Kairós de São Paulo, que criou uma plataforma e vai disponibilizar um sistema de indicadores de qualidade de vida do município, pelo qual será possível identificar quais as áreas merecem especial atenção do governo e da sociedade civil.

7) RS – Qual o seu entendimento do termo responsabilidade social?
MC
– Como membro do World Business Council for Sustainable Development (Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável), a Holcim está comprometida com o desenvolvimento que atenda às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades. Nesse sentido, esforçamo-nos para unir o crescimento econômico com o desempenho ambiental e responsabilidade social.

A estratégia de responsabilidade social da Holcim Brasil foi construída a partir da política mundial do grupo e leva em consideração a opinião das partes interessadas locais (stakeholders). São seis os pilares de RSC. Eles, além de parte integrante da estratégia de negócios da empresa, servem como guia para tomada de decisões e realização de ações. São eles: conduta nos negócios; práticas empregatícias; saúde e segurança do trabalho; envolvimento com a comunidade; relacionamento com clientes e fornecedores; e monitoramento e relato de desempenho.


Associação Ortópolis Barroso (AOB) - Telefones: (32) 3351-1637 e (32) 3359-3375 - Sites: www.institutoholcim.org e www.ortopolis.org.br

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