Glender Alvarenga

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Captação da água da chuva para o aproveitamento na irrigação, iluminação natural que proporciona a economia de energia elétrica e a geração de energia renovável com a utilização de aquecedores solares. Esses são alguns dos critérios do Eco Casa Branca, residencial em construção em Minas Gerais. Com investimento da ordem de R$ 20 milhões, o empreendimento possui área total de 1,9 mil m2 e 1,4 mil m2 de área verde preservada, o equivalente a 74% da área do empreendimento.

A construção está sob a responsabilidade da MIP Edificações e Gran Viver Urbanismo e conta a parceria da EcoConstruct Brazil, empresa especializada em construções sustentáveis. A entrega está prevista para meados deste ano. Na entrevista exclusiva ao Responsabilidade Social.com, o gerente comercial da MIP Edificações, Glender Alvarenga, detalha todo o conceito socioambiental empregado no empreendimento. Ele também avalia o mercado de construções sustentáveis no País. Alvarenga ainda dá dicas de como deixar a casa sustentável, sem gastar muito. Confira:

Responsabilidade Social – A MIP Edificações e Gran Viver Urbanismo lançaram, no início de fevereiro, o empreendimento Casa Branca que traz a sustentabilidade como principal conceito. Na sua opinião, é possível aliar meio ambiente, a construção civil e o mercado imobiliário?
Glender Alvarenga
 – Com certeza. É exatamente o que estamos fazendo nesse empreendimento. Trata-se de minimizar os impactos ao meio ambiente através de projetos e práticas construtivas ecologicamente corretas. Precisamos entender que os impactos ambientais existem em qualquer atividade, porém podem ser minimizados em basicamente três etapas, no caso da construção civil. A primeira delas é ainda nos projetos que devem ser elaborados de forma a aproveitar ao máximo as condições climáticas, topografia, relevo, áreas permeáveis, posicionamento da construção em relação à insolação, ou seja, análises prévias prevendo a influência da futura construção no ambiente natural e as interferências da natureza na própria construção.

A segunda fase é a execução. Durante esse processo deve-se priorizar materiais certificados, ou seja, que não estão sendo extraídos ou produzidos de forma ilegal e predatória, materiais menos tóxicos, preferência para aqueles que podem ser obtidos na região da construção. Ao optar por materiais e produtos regionais estaremos colaborando para a economia local, um item da sustentabilidade, além de diminuir o impacto causado pelo transporte dos mesmos, normalmente feito através de caminhões. Muita gente se esquece de que o tempo de vida útil de um material ou produto deve ser observado também. Não adianta usar um produto renovável de pequena duração para uma construção que tem terá que durar por muitos anos. Este certamente deverá ser substituído diversas vezes e talvez o ideal fosse utilizar um produto/material com um impacto ambiental um pouco maior, porém de forma praticamente definitiva.

A última etapa está na manutenção e conservação. Se um projeto foi bem concedido e os materiais apropriados, a manutenção e conservação exigirão menores esforços. Porém na construção civil são diversas as manutenções preventivas e corretivas ao longo da vida útil do mesmo. Deve-se fornecer ao consumidor um manual informando como e quando devem ser feitas estas intervenções para aumentar a duração da construção e diminuir os desgastes por uso e tempo.

RS – Como você avalia o mercado de construções sustentáveis no Brasil? Há um ambiente promissor para negócios nessa área?
GA
 – A maioria dos brasileiros se preocupa com o meio ambiente. Hoje, já é possível verificar que certas pessoas conscientes pagam um pouco a mais por um produto ecologicamente correto. Agora nossas crianças estão sendo educadas de forma a valorizar e respeitar cada vez mais as plantas, os animais, os recursos minerais, e daqui a pouco tempo esses pequenos serão os nossos clientes! Com toda essa consciência ecológica que está sendo disseminada, acredito que em alguns anos as empresas que não se adaptarem a estas práticas terão grandes dificuldades de se manterem.

RS – Na sua avaliação, há no Brasil políticas públicas eficientes que incentivem esse tipo de construção?
GA
 – Eu desconheço. Percebemos muita cobrança e pouco incentivo. Uma forma inteligente de incentivar o empresário da construção civil seria aumentar o coeficiente de aproveitamento de um terreno de acordo com a diminuição do impacto ambiental por ele causado. Assim o mesmo teria interesse em investir em projetos mais eficientes e novas práticas sabendo que será recompensado por um maior aproveitamento do terreno adquirido.

RS – Projetos de edificações ambientalmente corretas são viáveis em países como o Brasil, onde há um abismo entre moradias de áreas periféricas e modernos conjuntos comerciais e residenciais?
GA 
– Uma edificação ambientalmente correta não significa uma edificação de alto custo. Conheço casas populares com aquecimento solar e que funcionam perfeitamente. Algumas práticas e projetos acabam tendo um custo inicial alto, porém se feitas em escala, é perfeitamente viável a adoção em construções para a população de baixa renda. Precisamos é de incentivo ao estudo e estímulo à criatividade da nossa população.

RS – Esses empreendimentos são economicamente viáveis ou realizar um projeto sustentável pode encarecer a obra?
GA
 – O grau de sustentabilidade de um projeto irá refletir no seu custo. Um exemplo simples: se você executar o jardim da sua casa com plantas de adaptação local e que não precisam de muito cuidado, como serem regadas constantemente, você já está colaborando para ter uma parte da sua casa sustentável sem gastar nada a mais!

RS – O que uma família pode fazer para tornar sua casa “ambientalmente correta” sem gastar muito?
GA
 – Se a casa já está edificada, você poderá atuar em maior escala nas atividades de manutenção/prevenção. Aquisição de eletrodomésticos de baixo consumo, utilização de produtos naturais que substituem produtos químicos, fazer um descarte seletivo dos resíduos facilitando a coleta seletiva, desenvolver um canteiro de compostagem (viável em pequenos jardins) e muitos outros. Dentro da realidade econômica, do espaço disponível, da consciência e vontade de cada um existem diversos recursos que podem ser adotados.

RS – Na sua opinião, atualmente qual o peso da “preocupação ambiental” na hora da compra de um imóvel no Brasil? Esse fator evoluiu consideravelmente nos últimos cinco anos?
GA 
– Na hora da compra, a sustentabilidade se coloca como um diferencial do produto. Quando o cliente percebe que poderá ter uma maior valorização patrimonial, aliada a menores custos de operação e manutenção tratamos da questão econômica e ao mesmo tempo obtemos a valorização ambiental o que gera prestígio para as empresas que optam por esse posicionamento de vanguarda.

RS – Há uma projeção de crescimento para esse ano?
GA 
– A curva de crescimento das medidas de sustentabilidade é ascendente no Brasil e em todos os lugares do mundo. Aliada tanto aos desafios da construção civil, como a todos os outros setores econômicos. O modelo instalado passa por um forte questionamento sobre as formas de produção, os desperdícios, as irresponsabilidades de consumo, e a sustentabilidade é a resposta mais sensata ao clamor pelo desenvolvimento sustentável.

RS – Como você define o conceito de “responsabilidade social”?
GA – 
Responsabilidade social é em primeiro lugar ser uma empresa competitiva no mercado, lucrativa, que gera resultados para todos os seus públicos de interesse, que devido à sua sustentabilidade econômica paga seus impostos, obrigações e salários em dia. Mais do que isso, é aquela que utiliza também as oportunidades de mercado para gerar desenvolvimento social e econômico, com criatividade, inovação e compromisso ambiental.




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