Gabriela Gazola

Para Gabriela ainda há muito o que fazer no Brasil na área social

Para Gabriela ainda há muito o que fazer no Brasil na área social

Em entrevista exclusiva para o Responsabilidade Social.com, a diretora de Mobilização e Recursos da Aldeias Infantis SOS Brasil, Gabriela Gazola, destaca os principais números da instituição, que está presente hoje em mais de 130 países. O trabalho da entidade é pautado na crença de que uma criança não pode se desenvolver sem um lar e apartir dessa premissa emprega esforços para que cada jovem que não esteja sob os cuidados de uma família ou que esteja em uma família desestruturada, possa crescer em um lar sadio.

“Nós sempre pensamos na criança como centro de tudo, e todo o trabalho é desenvolvido a partir dessa ideia”, pontua Gazola. Com mais de seis décadas de existência e presente no Brasil há 40 anos, a instituição atende hoje aproximadamente 10 mil jovens brasileiros, em dez Estados e no Distrito Federal. São mais de 578 funcionários envolvidos e outros 210 voluntários.

Segundo a diretora da instituição, a meta para o próximo ano é elevar o número de crianças beneficiadas e inaugurar novas unidades. “O desafio é grande, mas muitas crianças ainda precisam de nós”, diz Gabriela Gazola. Na entrevista, ela explica, ainda, como é pautado o trabalho da instituição e avalia o movimento de responsabilidade social. Confira.

1) Responsabilidade Social – As Aldeias Infantis entregam no próximo dia 10, o 1º Prêmio Hermann Gmeiner de Responsabilidade Social. Qual a principal proposta dessa iniciativa?
Gabriela Gazola
– Reconhecer o apoio dos parceiros de nossa organização, indivíduos e empresas que acreditam no poder transformador do investimento social, sobretudo para a criança e o adolescente.

2) RS – Serão reconhecidas instituições de todo o país? Como foram selecionadas as entidades premiadas?
GG – Nessa primeira edição, a premiação reconhecerá principalmente parcerias nacionais. Para a próxima edição, a intenção é fazer etapas regionais, para também reconhecer o apoio das empresas que fazem parcerias diretamente junto a nossas unidades em dez Estados e no Distrito Federal.

3) RS – Como a senhora avalia o movimento de responsabilidade social no Brasil? Para a senhora, essa prática já pode ser considerada como exitosa no país?
GG
– Já avançamos muito, porém ainda há muito por fazer. Algumas empresas se destacam, com práticas de sustentabilidade adotadas há mais de duas décadas, enquanto a grande maioria ainda não acordou para o tema. Porém, a sociedade vem pressionando cada vez mais. É um movimento sem volta. Empresas que fazem investimento social são comprovadamente mais reconhecidas pelos consumidores.

4) RS – Quais os principais desafios para o Brasil nesse setor?
GG – Há que se destacar que os incentivos fiscais são muito restritivos. Pequenas e médias empresas não são contempladas. Internacionalmente, há uma série de incentivos fiscais que facilitam promovem a prática da doação, seja de indivíduos ou de empresas.

5) RS – O que a organização entende por ‘responsabilidade social’?
GG
– A responsabilidade social corporativa nada mais é do que a empresa assumir seu papel de pólo transformador da sociedade, utilizando sua força para criar um impacto positivo na comunidade em que atua e na sociedade como um todo. E ela não precisa deixar de lado o princípio de sua existência, que é gerar renda para seus acionistas, para utilizar práticas éticas, socialmente justas e ambientalmente corretas. É possível buscar o equilíbrio.

6) RS – As Aldeias Infantis SOS Brasil iniciaram suas atividades em 1967 e está presente em dez Estados e no Distrito Federal e atende cerca de dez mil crianças, adolescentes e jovens. A que a senhora, atribui o sucesso desse trabalho?
GG
– Realmente nosso trabalho se iniciou no Brasil há mais de 40 anos, porém a organização tem mais de 60 anos de existência no mundo. Hoje está presente em 132 países. Toda essa experiência se traduz no desenvolvimento e implementação de metodologias adaptadas à realidade de cada país, Estado, comunidade. Nós sempre pensamos na criança como centro de tudo, e todo o trabalho é desenvolvido a partir dessa ideia.

7) RS – Como é pautado o trabalho da instituição e quantas pessoas estão envolvidas hoje?
GG
– Nosso trabalho tem como princípio que cada criança pertence a uma família e cresce com amor, respeito e segurança. Em casos específicos, quando a criança não puder ser mantida em sua família de origem por qualquer tipo de desamparo, podemos atendê-la em nossas unidades de acolhimento, com uma mãe social que é responsável pela formação moral, social e cultural durante o período em que essas crianças estão confiadas a nós.

Do contrário, oferecemos atendimento por meio de nossas unidades de fortalecimento familiar e comunitário, que trabalha com crianças e famílias em situação de vulnerabilidade social, promovendo o desenvolvimento de famílias e comunidades, e a garantia dos direitos de crianças, adolescentes e jovens.

8) RS – O povo brasileiro se diz solidário. É solidário com a organização?
GG
– Sim, sem dúvida. Os Amigos SOS, como chamamos carinhosamente os doadores da organização, são muito comprometidos. Entretanto, como nós oferecemos um atendimento contínuo às crianças, adolescentes e jovens, também precisamos de apoio financeiro constante. Toda contribuição é importante, e qualquer um pode ajudar. Basta entrar no site http://www.aldeiasinfantis.org.br e se cadastrar como Amigo SOS.

9) RS – Quais as principais metas da instituição para o próximo ano?
GG
– Ampliar o atendimento, tanto beneficiando mais crianças, adolescentes e jovens nas unidades já existentes, quanto inaugurando novas unidades. Passaremos de 10 mil para 12 mil atendidos. O desafio é grande, mas muitas crianças ainda precisam de nós. Para isso necessitamos do apoio de indivíduos e empresas.


Aldeias Infantis - Telefone: (11) 5573-1533

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