Eduardo Odebrecht de Queiroz

Eduardo Odebrecht de Queiroz, Vice-Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Odebrecht.

Eduardo Odebrecht de Queiroz, Vice-Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Odebrecht.

A Fundação Odebrecht é uma instituição privada de utilidade pública, sem fins lucrativos, mantida pela Organização Odebrecht. Uma das mais antigas fundações empresariais do País, tem como missão “Educar para vida, pelo trabalho, para valores e superação de limites”.

Desde que foi criada, a Fundação Odebrecht tem como foco contribuir para formação de uma população estruturada em unidades-família, responsável pelo próprio desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, na prática constante do espírito de servir, atua em prol do interesse público como integradora, cedendo sua filosofia de trabalho; como avalista, junto aos demais parceiros sociais, além de investidora social.

Em entrevista exclusiva para o ResponsabilidadeSocial.com, Eduardo Odebrecht de Queiroz, Vice-Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Odebrecht, conta quais são as principais metas e desafios da Fundação, bem como sua experiência mais gratificante no ramo e sobre a política de responsabilidade social adotada por eles.

Responsabilidade Social – Como surgiu a proposta da Fundação Odebrecht e como sua atuação evoluiu ao longo desses 50 anos?
Eduardo Odebrecht – A Fundação Odebrecht foi criada, em 1965, com a missão central de assegurar fundo de previdência, com aposentadoria garantida, e gerar benefícios para os colaboradores da Construtora Norberto Odebrecht e suas famílias. Com o passar dos anos, esse tipo de apoio não foi mais necessário, pois o governo passou a prestar esse auxílio, e, em 1982, a Fundação mudou seu foco de atuação para se concentrar em questões de interesse público. Nessa época, fomentava prêmios e pesquisas para incentivar discussões que ajudassem o governo a resolver problemas sociais. Alguns anos de trabalho foram suficientes para perceber que não bastava fomentar ideias e apresentar soluções, pois o Governo não tinha condições de colocá-las em prática sozinho. Essa constatação levou a Fundação Odebrecht a repensar seu papel, estimulada pelo desafio de desenvolver metodologias e estratégias de intervenção social na comunidade. Foi escolhido como foco a educação do adolescente para a vida, promovendo o protagonismo juvenil, e diversos projetos foram realizados em capitais brasileiras.

Após uma trajetória de promoção da educação de adolescentes na zona urbana e de suas famílias, a Fundação Odebrecht decidiu, em 1999, ajustar seu foco de atuação para o Nordeste, mantendo a missão de educar para a vida. Naquele ano, uniu-se ao Instituto Ayrton Senna, Fundação Kellogg e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para instituir o Programa Aliança com o Adolescente pelo Desenvolvimento Sustentável no Nordeste. Foram escolhidas para serem beneficiadas três microrregiões rurais com baixos índices de Desenvolvimento Humano: Baixo Sul, na Bahia; Médio Jaguaribe, no Ceará; e Bacia do Goitá, em Pernambuco. O objetivo era atuar na causa de problemas sociais – como a migração involuntária de jovens para os grandes centros – e não na consequência. O Programa Aliança com o Adolescente, com duração de cinco anos, seria concluído em 2004. Um ano antes, a Fundação Odebrecht decidiu que daria continuidade às ações e concentraria seus esforços no Baixo Sul da Bahia, materializando, em conjunto com parceiros públicos e privados, o PDCIS – Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade do Mosaico de Áreas de Proteção Ambiental do Baixo Sul da Bahia – iniciativa que apoia até hoje. Em 2015, a Fundação Odebrecht comemora 50 anos de contínuas transformações, mantendo o foco na sustentabilidade e conectada a um fio condutor que sempre esteve presente: a Unidade-Família.

RS – Quais são as principais metas e desafios da fundação para 2015?
EO – A Fundação Odebrecht continuará promovendo, simultaneamente, a educação no campo de qualidade aliada a geração de trabalho e renda, com cidadania e respeito aos recursos naturais. Também buscará fortalecer os relacionamentos com os Parceiros e Investidores Sociais (incluindo as empresas que compõem os Negócios da Organização Odebrecht), por meio da qualificação da aplicação dos recursos captados para os projetos apoiados na região do Mosaico de Áreas de Proteção Ambiental do Baixo Sul da Bahia.

RS – Você pode compartilhar conosco alguns dados numéricos (investimentos, número de projetos, pessoas envolvidas) para nos dar uma ideia da escala do trabalho social realizado pela fundação?
EO – Somente em 2014, a Organização Odebrecht, instituidora da Fundação Odebrecht, investiu cerca de R$ 40 milhões nas ações apoiadas no Mosaico de Áreas de Proteção Ambiental do Baixo Sul da Bahia, que envolveram mais de 350 comunidades, beneficiando diretamente 36 mil pessoas e, indiretamente, 285 mil. Ainda em 2014, somamos cerca de 800 jovens formados e em formação nas unidades de ensino que compõem o Programa e mais de 650 agricultores familiares beneficiados, organizados em cooperativas agroindustriais. O PDCIS reúne mais de 50 Parceiros e Investidores Sociais mobilizados em apoio a mais de 10 instituições sociais que promovem o desenvolvimento sustentável na região do Baixo Sul da Bahia.

RS – Quais são os projetos com os quais a Fundação Odebrecht está atualmente envolvida?
EO – Além do PDCIS, que tem como estratégia promover a educação, geração de trabalho e renda, com cidadania e respeito ao meio ambiente, a Fundação Odebrecht coordena outras duas iniciativas: Programa Editorial – livros da Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO) e Tributo ao Futuro. A Fundação Odebrecht é a instituição responsável pela publicação e comercialização dos livros da TEO, em três idiomas. Os direitos autorais e toda a receita obtida são destinados às ações fomentadas pela Fundação.

O Tributo ao Futuro possibilita que colaboradores e empresas parceiras contribuam com as ações apoiadas pela Fundação Odebrecht através da destinação de Imposto de Renda para ações sociais que beneficiam crianças e adolescentes no Mosaico de Áreas de Proteção Ambiental do Baixo Sul da Bahia. Tem como base a Lei 8.069/90, que institui os Fundos dos Direitos da Infância e da Adolescência (FIA). Os investimentos efetivados via Tributo passam a constituir o Fundo especial, que são destinados aos FIAs dos municípios aos quais são captados.

RS – Pessoalmente, qual foi a experiência mais gratificante que você teve trabalhando com os projetos sociais?
EO – A atual experiência com comunidades da zona rural tem sido enriquecedora, ao ver jovens e suas famílias encontrarem uma oportunidade de crescimento no local onde nasceram e desejam viver. É muito comum assistirmos a migração dessa parcela da população para os grandes centros urbanos e isso acontece, principalmente, pela falta de oportunidade no campo. Quando essas famílias enxergam que é possível, por meio do trabalho na agricultura, construírem um futuro digno na zona rural, não decidem por outro caminho e isso que é motivador. A permanência no campo, no trabalho com agricultura familiar, é uma decisão do jovem e de sua família. Assistimos sonhos se materializarem em realidade, jovens que chegaram a migrar para as cidades retornarem para o campo, pois ouvem de primos, amigos e dos próprios membros da família que é possível acessar uma formação qualificada em unidades de ensino na região e viver na zona rural com dignidade.

RS – Como está pautada a política de sustentabilidade da Fundação Odebrecht?
EO – A Política de Sustentabilidade da Organização Odebrecht, que reverbera no contexto da Fundação Odebrecht, tem o desenvolvimento sustentável na essência de suas ações. Por isso, todas as empresas que compõem a organização contribuem para:

  • Desenvolvimento Econômico: grandes resultados para os Clientes, os Acionistas, as Comunidades em que atuam e para seus integrantes.
  • Desenvolvimento Social: criando oportunidades de trabalho e renda direta e indiretamente para as populações das comunidades em que atua.
  • Responsabilidade Ambiental: por meio do uso racional dos recursos naturais, utilização de tecnologias limpas e recursos renováveis e da recuperação de ambientes.
  • Participação Política: atuando na formulação de políticas públicas que visem promover o desenvolvimento sustentável.
  • Valorização da Cultura: incentivando a integração à Organização de pessoas de diversas origens, etnias, orientação sexual e religiosa e respeitando usos e costumes.

RS – Qual o seu entendimento do termo ‘responsabilidade social’?
EO – Acredito que Responsabilidade Social influencia todas as ações da empresa. Isto significa ter responsabilidade nas relações com seus diversos públicos de interesse e atuar de forma a minimizar impactos de seus produtos e processos no meio ambiente. Mas não é simplesmente realizar uma boa ação e sim uma necessidade cada vez mais expressa pela sociedade, que cobra esse tipo de atenção das empresas. Portanto, no meu entendimento, é uma forma ética de conduzir uma empresa e os negócios, de tal maneira, que a torne parceira e corresponsável pelo desenvolvimento social.


Fundação Odebrecht - Telefone: (71) 3206-1752

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