O que estamos fazendo pela nossa “Casa Comum”?

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Por Sandra Michelluzzi Biazotto*

A Terra é a “casa mãe”, por isso, casa de todos. Berço de uma magnífica biodiversidade. Ela providencia todas as condições essenciais para o desenvolvimento pleno de toda e qualquer vida. Embora sacralizada, não escapou da ambição e da cobiça de muitos dos seus filhos. A destruição e o poder da ganância contribuem, constantemente, para a dessacralização da Terra. Para estes, a terra é mercadoria, lugar de conflitos, exploração, exclusão e desencanto. Mas, para outros, é sagrada, protetora e geradora de vida. Na grande teia da vida, o bem-estar da humanidade depende do cuidado e da responsabilidade de cada um de nós, criaturas sagradas.

E, por refletir o tema da Campanha da Fraternidade deste ano: “Casa Comum, nossa responsabilidade”, lembrei-me de “Avatar”, filme que fez muito sucesso em 2009. Já o havia assistido, porém, o enredo é bastante pertinente para a reflexão. Percebendo e analisando os detalhes, a profundidade e a intenção da obra, reparamos que muitas pessoas, todos os dias, estão em busca de uma solução para, ao menos, tentar amenizar a constante ameaça ao planeta terra. O pior é que não são alienígenas ou outros seres que a querem destruir, mas sim, os próprios filhos da Mãe Terra.

A história permeada de valores humanitários: compaixão, solidariedade, confiança, bem comum, união, conexão com o sagrado, acontece dessa maneira: inicialmente, o interesse de algumas pessoas era explorar o que “Pandora” tinha de melhor, o valioso minério chamado Unobtainium, que estava embaixo de uma frondosa árvore, na qual habitavam os diferentes alienígenas nativos de Pandora. Tudo estava em equilíbrio, em perfeita harmonia entre os habitantes e a Mãe Terra.  Todo o lugar era sagrado. Possuía uma sacralidade. Perfeita conexão com a divindade, com todos e tudo.  Foi então que os inimigos – no caso, os seres humanos – conheceram e exploraram tal lugar. Foram eles, os ditos conhecedores de tudo, que queriam possuir o que mantinha o equilíbrio daquele habitat. Chegaram com suas armas de fogo, atirando sem dó e piedade e nada parecia impedi-los. Ainda bem que nem todos os seres humanos têm tamanha ganância. Pois, havia um grupo que enxergava “Pandora” além do que seus olhos viam. Não era apenas mais um lugar: era o lugar. Lugar que merecia veneração e cuidado, pois ali dependia a vida de um povo. Com tamanhas forças opostas, acontecera um confronto entre os seres humanos e o povo “Omaticaya”. Contudo, o povo venceu a batalha e o equilíbrio e a harmonia voltaram a reinar em seu mundo.

Oxalá, pudéssemos fazer desta ficção uma realidade, na qual pessoas que detêm o poder de mudança exercessem-no para o bem de toda a humanidade. Oxalá, pudéssemos voltar nosso olhar para as pessoas que, metaforicamente, são o povo Omaticaya em “Avatar”, que zelam e veneram a nossa Mãe Terra. Oxalá, desejássemos e concretizássemos que todos os seres vivessem em perfeita harmonia. Portanto, em sintonia com a Campanha da Fraternidade – “Casa Comum, nossa responsabilidade” –, o que estamos fazendo para salvar o nosso planeta?


Sandra Michelluzzi Biazotto é  professora de Ensino Religioso do Colégio Marista São Luís, de Jaraguá do Sul (SC), da Rede de Colégios do Grupo Marista.

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