No meio da Mata Atlântica é possível reaproveitar o ano todo, 100% do que coletamos

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Por David Siqueira de Andrade*

O Brasil consome, anualmente, mais de um bilhão de litros de óleos lubrificantes. E os Ministérios de Meio Ambiente e de Minas e Energia têm a atribuição de acompanhar o cumprimento das metas de coleta de óleo lubrificante usado e contaminado. Em 2015, o percentual mínimo de coleta esperado para o Brasil será de 38,1% do volume de óleo lubrificante comercializado no país. E segundo dados do Sindirrefino (Sindicato Nacional da Indústria do Rerrefino de Óleos Minerais), em 2014 foram recolhidos 451,862 milhões de litros de óleo – o que corresponde a 37,7%.

Para regulamentar essa questão, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) criou, em 2005, a Resolução 362 que determina como deve ser feito o armazenamento, o recolhimento e o destino do óleo lubrificante usado. Por isso, todos os estabelecimentos que vendem o produto são obrigados a fazer a troca e encaminhar o óleo usado para rerrefino. Além do benefício ambiental, esse processo também oferece vantagens econômicas, pois quando coletados e corretamente encaminhados à reciclagem, os chamados produtos são transformados novamente em óleo lubrificante, numa proporção de 75% a 80% de aproveitamento.

O problema é que existem inúmeras indústrias, postos de combustíveis e concessionárias no Brasil que ainda não estão seguindo rigorosamente o que determina a lei. O hábito de lançar o óleo usado no solo ou simplesmente na lixeira poderá acarretar muitos problemas quando vão parar nos aterros sanitários, contaminando os cursos d´água, como é o caso dos óleos lubrificantes, por exemplo, essa atitude pode ainda piorar, pois apenas um litro do produto é capaz de contaminar um milhão de litros de água.

Temos como responsabilidade, contribuir para garantir que um dos principais resíduos de postos de combustíveis – o óleo lubrificante – tenha uma destinação compatível com a necessidade de preservação do meio ambiente. Além disso, ainda existe a destinação correta dos filtros usados, embalagens de óleo, terra contaminada com óleo, panos e estopas usadas contaminadas com o produto. Responsabilidade que também recai sobre outro tipo de estabelecimento, as oficinas mecânicas.

Para cuidar desse resíduo, que um dia corre o risco de acabar, há mais de 20 anos tratamos 100% de resíduos sustentáveis para serem reaproveitados em forma de subprodutos ou matérias primas para vários fins, cimenteiras, reaproveitamento de água, reciclagem de plástico e metais, fabricação de óleo rerrefinado e objetos que tiveram contato com o óleo (estopas, panos, recipientes, areia, entre outros).

Pensando nessa coleta específica que envolve postos de combustíveis e oficinas, disponibilizamos o kit-posto, com tambores para armazenar objetos como: frascos, estopas, areia e, desta forma, garantir o envio para o destino correto.

E no dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado dia 5 de junho, comemoramos com números que impressionam. Para ter uma ideia, até final de 2014, contabilizamos 418 milhões de litros de emulsão (água mais óleo) foram tratados e enviados para as estações de tratamento. Além disso, contabilizamos também a reciclagem de 13 milhões de quilos de resíduos sólidos, compatíveis com a necessidade de preservação do meio ambiente.


David Siqueira de Andrade é químico e presidente da Supply Service, empresa localizada bem no meio da Mata Atlântica, na cidade de Tapiraí (SP), que oferece soluções completas que vão desde a coleta e tratamento de resíduos industriais e sólidos oleosos, descarte, limpeza de tanques, lavagem por hidrojateamento, até a reciclagem e rerrefino de lubrificantes usados.

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