Diagnósticos corretos salvam alunos com dificuldades na escola

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Milhares de jovens sofrem ano após ano com a falta de diagnósticos precisos que esclareçam sobre suas dificuldades de aprendizagem. E um exame equivocado, por exemplo, pode resultar em preconceito, discriminação e uma autoimagem depreciada pela própria pessoa, é o que alerta o neuropediatra Dr. Clay Brites.

Segundo Brites, a falta de uma análise correta, por exemplo, pode levar crianças e adolescentes com doenças médicas e dificuldades severas de aprendizagem à ignorância ou à negligência destes problemas.

– Assim, castigos, restrições, desconfianças e deterioração do ambiente familiar e escolar podem ocorrer injustamente e ainda expor a criança precocemente aos riscos de reprovação, bullying, evasão escolar e até delinquência – alerta.

Ele conta que já atendeu casos de pacientes diagnosticados equivocadamente. Esse perigo ainda expõe o erro a imensas desconfianças pela família e pela escola, além de provocar perda de tempo. Por exemplo, Clay diz que definir precocemente e inadvertidamente que um jovem tem dislexia, pode colocar os processos médicos em descrédito. “Temos a tendência a desacreditar esse tipo de abordagem, pois condições que sugerem este transtorno não significam que ele não possa desaparecer com intervenção precoce”.

Brites explica que os principais problemas de aprendizagem são as dificuldades escolares, causadas, na maioria das vezes, por conta do ambiente escolar e da família.

Para ele, nas instituições de ensino, por exemplo, faltam práticas pedagógicas mais individualizadas e preocupadas em estimular os pré-requisitos mais importantes. Assim, esquecem de dar o devido reforço àquelas crianças que possuem mais dificuldades. “É uma prática inadequada, porém comum”.

Segundo o especialista, a raiz desse mal vem dos cursos de pedagogia que carecem de disciplinas que explicam o funcionamento cerebral dos processos de aprendizagem e o desenvolvimento infantil.

– Isto é muito preocupante, pois são conhecimentos fundamentais para quem lida com ensino. Felizmente, devido aos casos de inclusão, os educadores estão procurando mais orientações. Porém, ainda há uma lacuna muito grande nessa área – diz.

– Queremos combater preconceitos e discriminação, além de definir que tipo de apoio as crianças e adolescentes devem ser submetidos no ambiente familiar e na escola – conclui.


(*) Dr. Clay Brites é pediatra e neuropediatra formado pela Santa Casa de São Paulo. É pesquisador do Laboratório de Dificuldades e Distúrbios da Aprendizagem e Transtornos de Atenção – Disapre UNICAMP. É ainda professor do curso de pós-graduação de Neuropsicologia Aplicada à Neurologia Infantil na Unicamp e membro do Departamento de Neurologia da Sociedade Paranaense de Pediatria. Ele irá realizar, gratuitamente, entre os dias 30 de novembro e 4 de dezembro o Congresso Nacional Online sobre Dificuldades e Distúrbios de Aprendizagem.

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