Cidadania empresarial: um caminho sem volta

Por Fábio Rocha

A “Responsabilidade Social Empresarial” é mais uma demanda das instituições que buscam sobreviver, crescer e perpetuar-se em um mercado globalizado. A responsabilidade social empresarial é apontada como um fenômeno que está obrigando as empresas a repensar seu papel e a forma de conduzir seus negócios; ela não se resume ao financiamento de projetos sociais no entorno imediato de empresa. Trata-se de uma atitude global, socialmente responsável e ética em todas as relações, seja com a comunidade, os trabalhadores, fornecedores, clientes, governo e meio ambiente.

Pesquisas recentes estão mostrando que a Responsabilidade Social vem se tornando cada vez mais um fator decisivo para o crescimento das companhias. Nos Estados Unidos e na Europa, 50% dos consumidores pagariam mais por produtos de indústrias socialmente responsáveis e 70% não os comprariam, mesmo com descontos, se fabricados por empresas não preocupadas com as questões éticas. Essa tendência já se verifica no Brasil, face ao quadro indecente do trabalho infantil. Os profissionais mais qualificados e talentosos preferem trabalhar em organizações que respeitam os direitos, a segurança e a qualidade de vida dos funcionários, entre os jovens americanos, 56% preferem trabalhar em empresas que tenham projetos sociais.

Atualmente, serviços e produtos de qualidade, preços de padrão mundial e marketing inteligente deixaram de ser diferenciais competitivos. É necessário, que as empresas, possuam todas essas características e ainda façam com que as pessoas identifiquem-se com sua marca e tenham satisfação em trabalhar no seu negócio.

Segundo pesquisas realizadas nos Estados Unidos cerca de 11 bilhões de dólares são destinados a causas que nada tem a ver com os negócios das corporações. Essa postura, a primeira vista, não agrega um centavo sequer aos lucros das empresas. No entanto, comprova-se que a maioria dos consumidores prefere marcas e produtos envolvidos com algum tipo de ação social.

Em tempos em que governos diminuem de tamanho, as empresas podem desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento da sociedade. A integração empresa – entidades filantrópicas (comunidade) traz consigo benefícios para ambas às partes. De um lado, as empresas transmitem conceitos da administração (avaliação de resultados, estabelecimento de metas, parcerias, estratégias), de outro, as entidades filantrópicas possuem, como colaboradores, pessoas que fazem mais com menos, ensinam sobre motivação, foco e trabalho em equipe.

Verifica-se que as empresas que conseguem se perpetuar em seus negócios são aquelas capazes de agregar valores à sociedade. Desenvolver um trabalho social garante, portanto, não somente o respeito de seus consumidores, como também de seus colaboradores, que cada vez mais satisfeitos e orgulhosos com o trabalho terão, consequentemente, maior produtividade.

É importante ressaltar que a filantropia não é promoção de vendas, é uma questão de postura e valores da corporação. O objetivo é “fazer acontecer”, mediante o apoio das empresas para o desenvolvimento da comunidade. Com base nestes pressupostos, o novo desafio é a forma em que as empresas devem investir na área social, pois, precisamos acabar com a “política da sinaleira” em que o único compromisso é de doar o recurso ou assinar o cheque.


Fábio Rocha, Sócio-Diretor da Damicos Consultoria e Negócios - E-mail: damicos@terra.com.br

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