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 Sexta, 3 Set de 2010 Edição: 102 Ano: 7 ISSN: 1677-4949

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Publicado em: 05/11/2008

  Coleta seletiva gera emprego e renda no DF

Em apenas duas semanas, grupo recolhe 13 toneladas de lixo sólido e movimenta cerca de R$ 3 mil

   
Lixo valioso

Papéis, jornais velhos, latas de condimentos, recipientes plásticos, embalagens diversas. Tudo pode ser valioso para um grupo do Distrito Federal, que viu uma oportunidade de negócio onde só se via sujeira. Desde o final de setembro, os membros da Cooperativa de Reciclagem do Varjão (CRV) estão organizados, uniformizados e recolhem nas quadras da Península do Lago Norte, bairro de classe média alta do DF, os resíduos sólidos que podem ser reaproveitados e vendidos.

Formada principalmente por mulheres, a cooperativa conta com quatro caminhões cedidos pela administração regional da cidade e circula pelas quadras a partir das oito horas da manhã, cumprindo um roteiro semanal de 5.200 casas. Todo o material recolhido é levado para o galpão cedido para a cooperativa e, em seguida, separado e vendido. Para se ter uma idéia, cada quilo de papelão ou jornal é vendido por R$ 0,20. As latas de alumínio valem R$ 2,80 o quilo.

Os recursos arrecadados são a fonte de renda dos cooperados e a meta da entidade é ousada: a expectativa é reduzir o desemprego na cidade, que segundo dados da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) está entre as cinco regiões administrativas com a menor renda per capita, não ultrapassando um salário mínimo (0,8). Somente nas duas primeiras semanas de trabalho, o grupo conseguiu recolher um total de 13 toneladas de lixo sólido, que renderam cerca de R$ 3.200,00. O valor arrecadado é distribuído igualmente entre os cooperados semanalmente.

A vice-presidente da instituição, Edinei da Silva Santarém, se preocupa com as colegas de trabalho que têm uma família inteira para sustentar. “A expectativa é que tudo melhore daqui para frente”, afirma. Mas a quantidade de material recolhido ainda está aquém da capacidade de coleta, que pode ser bem maior, se houver a cooperação integral dos moradores do Lago Norte. “Evitem misturar o lixo orgânico com o sólido pela manhã, no dia da coleta seletiva. Isso facilitará o trabalho da cooperativa para que seja uma iniciativa vitoriosa”, pede a administradora do Varjão, Luiza Vercillo.

A jornalista Caroline Blaudt, moradora do Lago Norte, já faz sua parte. Ela conta que a família deixa o material sólido em sacolas separadas e identificadas na porta de casa no dia da coleta. “Não custa nada fazer essa separação em casa, e ajuda muita gente a ter uma fonte de renda certa”, diz.

Para obter sucesso, a entidade apostou na capacitação dos cooperados, que participaram de cursos de formação e especialização do Sebrae, com destaque para o “Juntos Somos Fortes”, na área de associativismo, “Determinação Empreendedora”, que trabalha a auto-estima da comunidade, além de oferecer capacitação para estruturar a associação e criar o Regimento Interno. Até o fim do ano, o Sebrae prestará consultoria contínua à entidade, para responder todas as dúvidas sobre gestão empresarial. “O nosso objetivo é ajudá-los a administrar bem a cooperativa”, afirma a gestora do Projeto de Desenvolvimento Integrado do Varjão do Sebrae, Flávia Mayrink.

Bom negócio
Segundo a pesquisa “Análise do Custo de Geração de Postos de Trabalho na Economia Urbana para o Segmento dos Catadores de Materiais Recicláveis”, realizada em 2005, o país tinha na época 22 cooperativas de reciclagem cadastradas, num total de 1.800 colaboradores. O volume mensal de material reciclado alcançava a marca de duas toneladas, que geravam com a venda recursos da ordem de R$ 583 mil todo mês.

Mas, as estatísticas mostram que, embora ainda não exista um marco regulatório para a reciclagem, o setor cresce a cada ano. Atualmente, o Brasil já consegue movimentar R$ 8 bilhões anuais com o setor, gerando renda a 800 mil catadores, mantendo cerca de 550 cooperativas e empregando formalmente 50 mil pessoas em indústrias destinadas ao reaproveitamento do lixo seco. Hoje, a reciclagem atinge cerca de 12% do lixo urbano – calculado em 61,5 milhões de toneladas por ano.

Números da Organização Internacional do Trabalho (OIT), apostam num número maior. O relatório “Empregos Verdes: Trabalho Decente em um mundo sustentável e com baixas emissões de carbono”, aponta que pelo menos 500 mil brasileiros tiram seu sustento do lixo produzido nas grandes cidades e que o segmento tem potencial para crescer. “Espera-se que esse setor cresça com rapidez em muitos países, frente ao aumento dos preços das matérias-primas”, diz o texto.

Em agosto, a Cooperativa 100 Dimensão, também do DF, deu início ao projeto Consciência Limpa, com o intuito de replicar em outras comunidades a coleta seletiva. Atualmente, 200 famílias são beneficiadas pela geração de emprego e renda no Riacho Fundo II, onde fica o galpão da cooperativa, mas a meta é também alcançar as cidades de Samambaia e de Riacho Fundo I. Para isso, serão instalados pontos de coleta nas cidades, onde as famílias poderão descartar resíduos recicláveis, como plástico, vidro e papel. O projeto prevê, ainda, a abertura de concursos de redação com temas ambientais para envolver as escolas.

A entidade também conta com o apoio técnico e gerencial do Sebrae desde que foi criada, há dez anos. Segundo a presidente da cooperativa, Sônia Maria da Silva, a capacitação permitiu o crescimento do trabalho e abriu portas para novas parcerias nos setores público e privado. “No início, ninguém diria que seria possível. Eles nos viram com vontade, com garra, e acreditaram”, diz. De acordo com o secretário de governo, José Humberto, o GDF deverá investir R$ 9 milhões no projeto para a criação de 15 centros de triagem de lixo, sete deles ainda este ano.


  Entre em Contato

Administração Regional do Varjão
Tel.:
(61) 3468.1112
Site: www.varjao.df.gov.b

Comitê Interministerial de Inclusão Social dos Catadores de Materiais Recicláveis
Tel.:
(61) 3433-1668
Site: http://www.coletasolidaria.gov.br/

Sebrae DF
Tel.:
(61) 3362-1659 / 1700
Site: www.df.sebrae.com.br



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