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 Sexta, 3 Set de 2010 Edição: 102 Ano: 7 ISSN: 1677-4949

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Com a candidatura da Marina Silva o tema certamente terá um espaço significativo

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Publicado em: 20/12/2007

  Vitor Seravalli

Em entrevista ao RESPONSABILIDADESOCIAL.COM, Vitor Seravalli, diretor do Departamento de Responsabilidade Social (DRS) do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) fala sobre os desafios e tendências da responsabilidade social empresarial (RSE) e da missão do Ciesp. Leia a seguir:

Divulgação  
Vitor Seravalli

1) Responsabilidade Social – O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) é uma entidade civil de direito privado, sem fins lucrativos que tem como uma das suas atribuições promover o estudo de soluções de problemas que interessem a indústria. De que forma o Departamento de Responsabilidade Social (DRS) do Ciesp pode contribuir nesse sentido?

Vitor Seravalli – O Departamento de Responsabilidade Social do CIESP é um centro de competências que tem objetivo principal dar suporte às empresas associadas para compreender e desempenhar a Responsabilidade Social de modo sustentável, agregando valor real aos seus negócios.

2) RS – Como o senhor define o conceito de Responsabilidade Social?

VS – Responsabilidade Social Empresarial “é uma forma de conduzir os negócios que torna a empresa parceira e co-responsável pelo desenvolvimento social. A empresa socialmente responsável é aquela que possui a capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio ambiente) e conseguir incorporá-los ao planejamento de suas atividades, buscando atender às demandas de todos, não apenas dos acionistas ou proprietários” (Ethos).

3) Como a questão do desenvolvimento sustentável e da responsabilidade social integra o modelo de negócios do Ciesp?

VS – Pela sua representatividade no Estado de São Paulo em todas as suas Diretorias Regionais, o CIESP tem a capacidade concreta de fomentar a busca do entendimento dessa questão e, aproveitando sua admirável capilaridade, difundir um conceito de Responsabilidade Social Corporativa que traga mais sustentabilidade para as empresas. Isso ocorrerá se a conscientização das mesmas se refletir numa postura de ação que agregue um real valor a todos os seus públicos de relacionamento. Pela sua estrutura, o principal campo potencial de atuação do CIESP está mesmo nas Diretorias Regionais. Cada região do interior do estado, e mesmo as localidades distintas na capital, têm características de influência local e até mesmo vindas dos modelos de atuação de suas associadas, que sugerem atuações sociais diferenciadas dentro de suas comunidades.

4) RS – Quais os projetos sociais desenvolvidos e apoiados pelo Ciesp que o senhor considera de mais impacto a curto prazo?

VS – O programa Parceiros da Educação que trata de parcerias entre empresas e escolas estaduais, é o principal programa apoiado pelo CIESP. Porém há outras parcerias com organizações, como a FUNAP, Instituto Doe Sangue Salve Vidas, ABRALE, Rede São Paulo, que são oportunidades importantes para vivências empresariais nessa área. Para maiores detalhes, sugiro o acesso ao hot site de nosso departament www.ciesp.org.br (Responsabilidade Social – Projetos).

5) RS – Na sua opinião, a responsabilidade social já tem espaço certo na estratégia de negócios das empresas brasileiras?

VS – Pesquisas recentes evidenciam que as empresas valorizam a importância que a Responsabilidade Social Empresarial tem em sua lista de prioridades, principalmente aquelas que já entenderam o cenário social onde estão inseridas. Por outro lado, fica também evidente o grande potencial de conscientização que ainda está inexplorado, e que fica mais e mais cristalino na medida em que a dimensão das empresas evolui na direção das médias para pequenas. Definitivamente, não é errado concluir que há um caminho sem volta a ser seguido pelas empresas. Às vezes, é paradoxal o entendimento das mesmas sobre seu papel na sociedade. Nas empresas com visão mais clássica o aspecto econômico se sobrepõe, enquanto que tende a ser o oposto naquelas que baseiam sua atuação nos princípios do desenvolvimento sustentável. Não parece interessante mergulhar num processo de julgamento para definir qual opção é a mais viável para as empresas, mas parece lógico perceber que os investimentos conceituais e vivenciais das empresas com o tema poderão gerar muitas oportunidades para a sociedade e para elas mesmas.

6) RS – Como uma empresa pode transformar seu negócio em economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto?

VS – Se houver o real comprometimento da empresa com desenvolvimento sustentável, em sua mais reconhecida definição, que o considera existente quando seus negócios se desenvolvem “satisfazendo as necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades”, então essa será a “evidência” de que a integração dos pilares econômico, social e ambiental já promoveu essa transformação. Porém, entendo que o grande desafio é a incorporação da “sustentabilidade” como competência, não só organizacional, mas também individual pelos colaboradores das empresas. E isso somente acontecerá quando esse tema se transformar em parte da estratégia, ou seja, algo realmente importante. Minha percepção é de que esse grande processo de compreensão e de conscientização ainda está numa fase com grande potencial de evolução, principalmente nas pequenas e médias empresas.

7) RS – Mas hoje já é lucrativo ser sustentável? De que forma a responsabilidade social empresarial pode ser um diferencial de mercado?

VS – Além da baixa priorização, há ainda um mito de que a sustentabilidade gera custos para os negócios. Na verdade, a sustentabilidade é um excelente investimento, e algumas organizações já se beneficiam de forma bastante concreta disso, inclusive no valor de suas ações nas Bolsas de Valores.

8) RS – Como o senhor avalia o desempenho das indústrias paulistas na área social e o que ainda precisa ser melhorado?

VS – O Índice Paulista de Responsabilidade Social (IPRS), criado pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, um trabalho específico e muito rico em resultados sobre o tema, confirma a tendência de evolução, e apresenta resultados importantes em várias regiões do estado. Porém, conforme já foi dito, isso não é homogêneo e tem imenso campo para desenvolvimento.

9) RS – Investir na área social é exclusividade das grandes corporações? Como as pequenas empresas podem desenvolver ações sustentáveis?

VS – Esse é um outro mito a ser eliminado. Incorporar sustentabilidade através de investimentos sociais e ambientais conectados aos negócios é mais uma questão de atitude do que financeira. Por isso, defendo o pensamento de que mesmo as médias e pequenas podem atuar de forma sustentável, priorizando o equilíbrio dos pilares social, ambiental e econômico, impactando positivamente seus públicos de interesse (stakeholders), desde que mudem sua atitude em relação à percepção de seu papel transformador na sociedade.

10) RS – Quais as metas do Departamento de Responsabilidade Social do Ciesp?

VS – Há muitas oportunidades para que o CIESP use de forma plena sua principal competência, que é a capilaridade, no desenvolvimento da sustentabilidade de seus associados. A realização de um balanço social das aproximadamente 9000 empresas associadas, e que sirva de referência empresarial sobre o assunto, será uma das ações prioritárias para o próximo período. Acredito que a divulgação e replicação das inúmeras boas práticas existentes poderá gerar importante aprendizado para todos. No prazo mais curto, o objetivo é garantir a continuidade de todos os projetos que já recebem o apoio do CIESP por um monitoramento claro de resultados em relação à viabilidade e aos impactos positivos na sociedade. Uma outra ação estratégica é o apoio formal ao programa Pacto Global das Nações Unidas, que advoga dez princípios universais, derivados da Declaração Universal de Direitos Humanos, da Declaração da Organização Internacional do Trabalho sobre Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho, da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e da Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção. Se pudermos trazer nossas empresas associadas ao comprometimento em relação a esses princípios, estaremos certamente contribuindo de forma eficaz para a sustentabilidade das empresas e da sociedade.


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Site: www.ciesp.org.br
Telefone: (11) 3549 3253



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